Jornal
Mineiro de Psiquiatria |
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Crítica a quem? por Humberto Campolina
É sabido que um sistema de idéias, quando parte de falsas premissas, chega inexoravelmente a conclusões absolutamente alienadas da realidade, malgrado a coerência interna de suas partes. É o caso dos doentes paranóicos e da... antipsiquiatria que hoje aparelha todo a coordenação do sistema público brasileiro de “saúde mental” (expressão ruim cunhada justamente para discriminar e substituir a o nome da psiquiatria). “Historicamente, [sic] o cenário assistencial em psiquiatria no Brasil foi marcado pela repressão, autoritarismo, violência, exclusão social, violação aos direitos humanos e cidadania” (p.38, grifo meu) (****). Jane Lemos solenemente dispensa-se do trabalho de comprovar a correção desta premissa que inevitavelmente conduz à dedução de um futuro brilhante para a saúde mental, à nossa espera graças à sabedoria da doutora e sua geração. Ou dito de outra forma, o passado concreto, agora permeado pelo Mal, é trocado pelo inexistente, não concretizado futuro luminoso, encarnação terrena do Bem; ao invés de um porvir orientado e estruturado pela experiência passada, tem-se o contrário: o passado é filtrado e visto sob a luz de uma quimera futurista. Eis aí, como diria o filósofo Olabo de Carvalho, uma inversão da ordem do real que, mutatis mutandis, vê-se em certos casos psicopalológicos. Todavia, não resisto em auxiliar Lemos a provar sua tese. Quem, quando e onde: uma acusação, do porte da que a psiquiatra faz, prova-se facilmente com as respostas a tais questões. A doutora Jane Lemos deve tão-somente nos contar quando, onde e quem REPRIMIU, ABUSOU DE AUTORIDADE, EXCLUIU SOCIALMENTE E VIOLOU DIREITOS HUMANOS DE DOENTES MENTAIS. Ou estará, para dizer o mínimo, correndo o risco de ser leviana e injuriosa para com as gerações de psiquiatras que fizeram a história da psiquiatria brasileira. (*) Na comissão de saúde mental do Ministério da Saúde, a psiquiatria ocupa uma suplência ao lado da odontologia... (**) http://www.abpbrasil.org.br/medicos/publicacoes/debates/REV_PSQ_HOJE_3_Junho_2009_light.pdf (***) Reforma que, segundo Lemos, “tem como pressuposto básico a inclusão social e a habilitação da sociedade a conviver com a diferença” (idem). Hum... (****) A doutora Jane talvez não saiba a origem histórica da antipsiquiatria, que já nasceu com os jargões por ela usados no artigo de “exclusão”, “resgate da cidadania”, etc. etc. (mantras surrados que funcionam como hipnóticos e paralisantes às consciências incautas)? Pois vou fazer o obséquio contar-lhe a história. Consta que na década de sessenta do século XX, vazou para o ocidente que na União Soviética estavam internando dissidentes políticos nos hospitais psiquiátricos. Com o objetivo de contrabalançar essa informação, veio de Moscou a ordem para que um membro da KGB, o famigerado serviço secreto da URSS, lançasse a contra-informação de que os hospitais psiquiátricos do Ocidente estavam tratando desumanamente os pacientes psiquiátricos. Sabem quem era esse homem da KGB? David Cooper o fundador da antipsiquiatria (história que apareceu quando o companheiro de viagem Laing deu com a língua nos dentes). Em seguida vieram Foucault, Baságlia et caterva e, nos dias de hoje, a saúde mental pública brasileira, engendrada pelas mãos de um partido político que tem como modelo de política Cuba, esse paraíso da liberdade e do respeito à cidadania.
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