Jornal Mineiro de Psiquiatria

                                            
http://www.medcenter.com/Medscape/images/bullet_orange2.gif Antipsicóticos atípicos podem atenuar os sintomas da doença de Alzheimer         




Nova York – Pesquisadores relataram em uma publicação do American Journal of Psychiatry que alguns sintomas da doença de Alzheimer em especial as ilusões paranóides, irritabilidade e agressividade podem ser amenizados com o uso de antipsicóticos atípicos. Entretanto, o tratamento com estas medicações não foi capaz de melhorar suas habilidades funcionais ou diminuir sua dependência do tratamento.
Dados iniciais do projeto Clinical Antipsychotic Trials of Intervention Effectiveness - Alzheimer's Disease (CATIE-AD) sugeriram que o tratamento com olanzapina e risperidona foi mais eficaz que o placebo, mas, como observaram os autores, os benefícios “foram intercalados com períodos de suspensão da droga devido aos efeitos colaterais”.
O ensaio clínico avaliou, durante 36 semanas, 421 pacientes ambulatoriais com doença de Alzheimer submetidos aos tratamentos habituais. Os indivíduos foram randomicamente selecionados em grupos que usaram olanzapina, quetiapina, risperidona e placebo na proporção de 2:2:2:3. Os médicos assistentes selecionavam as doses iniciais de cada droga, que poderia ser ajustada ou suspensa, de acordo com as necessidades do paciente.
Neste estudo, Dr. David L. Sultzer da David Geffen School of Medicine de Los Angeles e seus colaboradores relataram que o uso da olanzapina e risperidona estava associado a escores significativamente maiores que o placebo no inventário neuropsiquiátrico e no “fator de hostilidade suspeita” da Brief Psychiatric Rating Scale. Os autores destacaram ainda que as drogas apresentaram pouco efeito sobre a agitação.
A risperidona também foi associada a uma redução na categoria de psicose e uma grande melhora na escala de impressão clínica de mudança (Clinical Global Impression of Change - CIGIC).
De acordo com os autores, apenas 19% dos pacientes completou o estudo utilizando a mesma medicação proposta inicialmente. Na maioria das vezes, a droga foi suspensa por ineficácia. Quanto às escalas de déficit cognitivo, atividades de vida diária e qualidade de vida, nenhuma droga diferiu do placebo.
Dr. Sultzer e seus colaboradores concluíram que “tal como se verifica na prática clínica, estes achados vem ao encontro do valor da abordagem individualizada de cada paciente, cuja melhora de sua sintomatologia deve ser avaliada no contexto clínico de cada paciente.”

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