Jornal Mineiro de Psiquiatria

A MANIPULAÇÃO POLÍTICA DA SAÚDE! PSF É UM EXEMPLO!

                 
1. A reiterada crise na área da Saúde pelo Brasil afora tem um vetor constituinte principal: a manipulação política. Nenhuma crise em serviços da dimensão e importância da Saúde tem solução em curto prazo. Mas o que fazem os governos, para ganhar tempo em relação à opinião pública e à imprensa, é tomar uma medida qualquer e empurrar o noticiário para frente, esperando que se esqueçam.
                 
2. Um exemplo é o Programa Saúde da Família (PSF), consenso nacional. A dificuldade de sua implementação tem a mesma raiz da dificuldade de lotação de pessoal médico nos hospitais e postos de saúde. No entanto é mais complexa pela localização do PSF nas áreas mais pobres, que nas grandes cidades convivem com a presença de traficantes.
                 
3. Quando surgiram os surtos epidêmicos de dengue pelo Brasil nos últimos anos, exemplificando com o caso do Rio em 2008, a solução mágica era a ampliação dos grupos PSF e citava-se como exemplo Belo Horizonte, onde o PSF avançou mais entre as grandes cidades, e isso garantiria a prevenção em relação à dengue. Citava-se governos do PT como comprometidos nessa linha. Resultado: esse ano os maiores surtos de dengue estão em Belo Horizonte e em regiões da Bahia.
                 
4. No Rio essa era a solução mágica e a grande prioridade. Lá se vão 130 dias desde a eleição e não se fala mais nisso. Agora mesmo, com a crise anunciada nas chamadas UPAs e com o pedido de demissão de 50 médicos do hospital estadual Rocha Faria esta semana. Anunciada porque se faltavam médicos nos postos e hospitais, a expansão horizontal da rede agravaria o problema, pois a forte expansão da rede privada nos últimos 30 anos alterou drasticamente o mercado de trabalho. Da mesma forma a relação de dengue e PSF, que era exaltada pelo ministro. Resultado: não se fala mais em PSF e o ministro assina convênio pensando em complementar pessoal dos hospitais pagando um pouco mais e não se lembra mais de médicos para o PSF. O problema persistirá, pois a razão de fundo é muito mais complexa.
                 
5. Contam com a memória da população e a necessária renovação do noticiário. As soluções mágicas lançadas ao vento e as manchetes na última crise simplesmente são esquecidas. Não se fala mais no PSF, de sua ampliação, de sua função matriz preventiva, nada. Era tudo apenas uma forma de ganhar tempo e manipular politicamente a boa fé das pessoas e da imprensa. E é mais uma vez: Onde está a ampliação do PSF como prioridade? Resposta: Silêncio...
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                          Publicado no ex-blog do César Maia