Jornal Mineiro de Psiquiatria

 

                   PROTEJAM SUAS CRIANÇAS DO MOLESTAMENTO DO ESTADO
 

    Por Reinaldo Azevedo
 
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/uploaded_images/CAMISINHA-MASCULINA-796958.JPG

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/uploaded_images/CAMISINHA-FEMININA-734191.JPG 
Leitor, é um texto longo. Muito longo. Mas, creio, necessário.

As fotos que você vêem acima retratam o kit que o Ministério da Saúde, comandado pelo inefável José Gomes Temporão, envia às escolas para as aulas de educação sexual. Integram um tal Programa de Saúde e Prevenção. Em São Paulo, ele é desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual de Educação e com os municípios. Deve ser assim no Brasil inteiro. Falta a personagem principal do kit de Temporão: um pênis de borracha que o poeta Bocage diria ser daqueles que servem mais para “mostrar do que para usar” — ele empregava outro verbo, que o decoro me impede de escrever. E, claro, decidi não publicar a imagem aqui porque não é coisa que deva ser exibida em blogs de família. Duvido que qualquer dos nossos jornais a estampasse na primeira página. Vocês entenderam: alunos de 12, 13 anos estão sendo expostos a um “material didático” que não pode ser exibido em blogs e jornais voltados para o público adulto.

De onde vêm essas fotos? Elas me foram enviadas por João Flávio Martinez, pai de uma estudante de 13 anos de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Professor, Martinez indignou-se com a forma como a tal “Educação Sexual” está sendo ministrada a crianças. Durante as aulas, digamos, práticas, meninos e meninas são convidados a vestir o pênis com a camisinha — vocês sabe: é para aprender como se usa... Na seqüência acima, vêem-se um DIU (dispositivo intra-uterino), um diafragma, pílulas anticoncepcionais e a camisinha feminina. Só para precisar: o remédio Pozato Uni não é exatamente um anticoncepcional: trata-se da chamada “pílula do dia seguinte”.

Martinez indignou-se com a forma como as coisas estavam sendo conduzidas e foi falar com a diretora da escola estadual Pio X, Mara Cristina Pacci Lainetti. Ela teria recomendado que ele tirasse a filha da escola. Procurei a diretora, que não quis comentar o caso, nem mesmo a acusação que lhe faz o pai da estudante. Afirmou que eu deveria procurar a Secretaria da Educação. Foi o que eu fiz. A assessoria sustenta que as aulas obedecem ao rigor técnico e que há professores treinados para ministrá-las. A secretaria, evidentemente, não endossa a recomendação para que a aluna deixe a escola.

Não, Martinez não se conformou com o tratamento que lhe foi dispensado e com o método adotado nas aulas de educação sexual e redigiu uma carta aberta, entregue à escola. Seguem alguns trechos:

Não quero nem discutir se a escola deve ou não orientar sexualmente as crianças, porque isso nem cabe discussão – A escola deve e precisa orientar sexualmente as crianças e adolescentes.
A problemática gira em torno da metodologia adotada pelo Estado. Diante disso, perguntamos ao Estado:
- Será que não estamos passando do limite ao levar em uma sala de aula um pênis de borracha para que crianças de 11 a 14 anos vistam com camisinha esse objeto?
- Será que não estamos extrapolando o bom senso ao obrigar uma criança a ir a um posto de saúde e pedir uma camisinha e depois obrigá-la a colocar no tal pênis de borracha na frente de todos?
(...)
- Pra que falar de pílula do dia seguinte a ouvintes tão pequenos, se o remédio é somente vendido sob prescrição médica e para maiores de idade?
(...)
Diante desse quadro vamos analisar o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente:
1) Quando o Estado e a Escola preparam uma metodologia ou algum projeto educacional para adolescentes, pais e responsáveis têm o direito de ser plenamente informados do que está acontecendo. (...) entendo que os pais deveriam ser informados e deveriam ter visto o KIT PEDAGÓGICO para aulas de sexo (Cf. no ECA Art. 53, parágrafo único).
2) Essa orientação sexual deve respeitar a cultura, o ambiente, e o sistema educacional que essa criança já tem em casa (Cf. ECA Art. 58), ou seja, os valores familiares não devem ser atropelados pelas metodologias do Estado.
(...)
4) Uma criança nunca poderá ser exposta a uma cena constrangedora ou a um espetáculo que explicite objetos ou fotos pornográficos (Cf. ECA Arts. 74, 75, 77, 78, 79, 240).
(...)

Voltei
Martinez está certo de várias maneiras. Acerta ao, na condição de pai, indagar a direção da escola sobre a forma como está sendo conduzida a aula de educação sexual; acerta quando considera chocante o suposto material didático, que ficaria bem, sem dúvida, numa loja de artigos eróticos; acerta quando redige a sua carta aberta; acerta quando se indigna com o fato de estudantes de 12 receberem “aulas” sobre a pílula do dia seguinte; acerta quando acusa que vários artigos do tal ECA estão sendo jogados no lixo; acerta quando aponta que a escola está se metendo em valores que são da família, onde o estado não tem de meter o bedelho. É mesmo um descalabro.

O Brasil tem uma das piores escolas do mundo. O resultado do Enem, divulgado há alguns dias, não deixa dúvida: o desempenho médio dos alunos não alcançou 43%. Em exames internacionais, amargamos os últimos lugares. A maioria dos nossos estudantes têm um domínio pífio da própria língua e um desempenho melancólico nas chamadas “disciplinas exatas”. A escola falha de modo miserável, escandaloso, no ensino das disciplinas que constituem a sua razão primeira de ser. Não obstante, tornaram-se verdadeiros centros de doutrinação da sexualidade.

Pênis? e o número pi?
Será mesmo necessário convidar alunos e alunas a manipular em sala um pênis de borracha, vestindo-o com uma camisinha, sob o pretexto de instruí-los sobre a maneira correta de usar um e outro? Nessa idade? 12 anos? 13 anos? É uma vergonha pedagógica, intelectual e moral. Será que não há uma maneira didática de tratar do assunto, usando — vejam como sou exótico — a velha e boa conceituação? O professor de biologia agora tem de mostrar a meiose acontecendo? O professor de matemática tem de materializar o pi, o número transcendente? Será preciso pegar na mão a mitocôndria para acreditar que ela existe? Teremos de fazer Júlio César reencarnar em alguma sessão espírita?

Estupidez!
Mistificação!
Pilantragem intelectual!

A assessoria da Secretaria de Educação diz que a Diretoria de Ensino regional informa ter havido uma redução de 50% nos casos de gravidez na adolescência na cidade depois que o programa foi implementado. Eles têm meus telefones e gostaria de receber o material técnico que ampara tal informação. Quem fez a pesquisa? Ela só foi feita em São José do Rio Preto? Lamento, mas duvido. Duvido porque isso vai contra as evidências. Os dados a seguir são do IBGE:
- a gravidez na adolescência subiu entre 1996 e 2006, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais;
- a única faixa etária em que houve aumento da fecundidade foi entre 15 e 17 anos: passou de 6,9%, em 1996, para 7,6%, em 2006. No Nordeste, a variação foi maior: 1,2 ponto percentual.

Ah, sim: também a AIDS voltou a crescer entre adolescentes, especialmente as meninas.

Então...
Então eu não quero que se dê orientação sexual nas escolas? Ora, é claro que elas devem se preocupar com isso. Mas resta evidente que se está fazendo tudo à matroca, na base da improvisação e do despreparo. Lamento: quem leva um pênis de borracha em sala de aula — por que não também uma vagina? — e o expõe à manipulação de crianças de 12 anos está a um passo do molestamento infantil — se é que já não caiu nele. O programa, mostram os dados, é ineficaz. E, é obvio, pretende destituir a família de suas prerrogativas.

No dia 7 de fevereiro de 2007, escrevi um texto intitulado “Salvem suas crianças de Lula. Ou não. Eu salvo as minhas”. Comentava a iniciativa do governo federal de distribuir camisinhas nas escolas, o que já está em curso, e uma cartilha destinada à educação sexual. Vejam só:
(...)
Quando o governo anunciou a disposição de instalar máquinas para distribuição de camisinhas, escrevi aqui — e muitos me censuraram afirmando que eu estava vendo coisas — que se tratava de incentivo ao sexo, não à prevenção. Por essa razão, observei, em vez de combater a gravidez precoce e a Aids, a iniciativa traz o risco potencial de provocar o aumento de ambas. A razão é tristemente simples: praticamente se convocam para o sexo jovens na faixa de 13, 14, 15 anos, que correm o risco de praticá-lo, a partir daí, com ou sem proteção. Não é preciso conhecer muito da psicologia, especialmente a masculina, numa fase de afirmação, para saber que se está lançando um desafio. Tenho 45 anos. Já aos 13, não havia rapaz da minha classe, eu inclusive, que não contasse aos amigos suas peripécias sexuais. Sempre com mulheres mais velhas, todas loucas por nós. Era tudo mentira. Eu também mentia. E, é claro, não havia uma máquina de camisinha no pátio.

Opus-me a essa história de distribuir camisinhas, antes de tudo, porque é contraproducente. Mas não só. A educação sexual cabe à família, não ao Estado. O máximo que este pode fazer é fornecer as informações técnicas, e não interferir de forma tão importante nas escolhas. Se não cabe à escola ensinar, por exemplo, religião, não cabe ao Estado atropelar os padrões familiares também no que concerne a esse particular — e todas as religiões têm prescrições a respeito. Sou um conservador? Um reacionário?

Ok, senhores progressistas, deixo então seus filhos, filhas, irmãos, irmãs, sobrinhos, sobrinhas, netos e netas expostos à cartilha que o governo federal pretende distribuir nas escolas (veja nota abaixo). Deixo suas crianças entregues à clarividência moral do PT e de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele agora decidiu entrar na sua casa — da minha, seria posto pra fora a pontapés.

A cartilha sexual de Lula é destinada a jovens entre 13 (!!!) e 19 (!!!) anos, como se essa faixa etária existisse. Observem: estamos falando praticamente de uma criança e de um adulto, ambos expostos à mesma informação e, lamento dizer, estimulados a praticar sexo, inclusive entre si — o que pode até configurar crime. Tanto uns quanto outros lerão nas cartilhas entregues por Lula coisas assim:
- O beijo é como chocolate por "aguçar todos os sentidos" e "liberar endorfinas". E tem uma vantagem: "queima calorias", ao contrário do doce.
- Há espaço na cartilha para o estudante — de 13 a 19 anos, reitero — relatar suas “ficadas”. E o governo federal ensina que ficar compreende “beijar, namorar, sair e transar”.
- O pênis com a camisinha é chamado de “O pirata de barba negra e de um olho só [que] encontra o capuz emborrachado". A associação entre pênis e pirata merece um estudo...
- O uso dos verbos no imperativo não deixa a menor dúvida: “Colocar o preservativo pode ser uma excelente brincadeira a dois. Sexo não é só penetração. Seduza, beije, cheire, experimente!".

A cartilha de Lula é pornografia pura e simples. E eu não lastimo apenas o gosto estético de quem redigiu, mas também a saúde mental. Quem se dirige a crianças e adolescentes nessa linguagem tem problema. Precisa se tratar. Se algum adulto, na minha presença, referir-se a sexo, nesses termos, com as minhas filhas no ambiente, leva um tapão na orelha. Leva um pé no traseiro.

E a família?
E o que a representante do governo pensa de os pais eventualmente reprovarem a iniciativa oficial? Ela não reconhece o pátrio poder nesse caso e expropria esses idiotas de qualquer direito. Diz ela: “O foco é o jovem, não a eventual censura que possa vir de um pai. A realidade é essa, ficar, hoje, é parte da vida de muitos jovens, e o caderno é para anotações pessoais”. Essa pérola do pensamento soviético é de uma certa Mariângela Simões, diretora do Programa Nacional DST/Aids. As cartilhas são elaboradas, em conjunto, pelos ministérios da Educação e da Saúde.

É isso aí. Haveria o dia em que o PT chutaria a porta de sua casa para tomar as suas crianças. Lembram-se daquela brincadeira, segundo a qual comunista come criancinha? Pode não comer — a menos que o partido mande, é claro —, mas é certo que não hesita em corrompê-las. Há muito, muito tempo, eu não via nada tão estúpido.

Eu quero saber o que vão fazer os promotores da infância e da adolescência. Não hesitarei em acusar a sua prevaricação caso fiquem calados. A cartilha do governo Lula viola, de forma explícita, ao menos sete artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme segue abaixo:

Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.

Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.
Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.
Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Art. 73. A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica, nos termos desta Lei.

Ou será que o ECA serve apenas para proteger assassinos, mas nada pode contra a infância e adolescência violadas pelo Estado? Eu já sabia que o governo Lula era um perigo para o Brasil e para boa parte dos adultos brasileiros. Mas agora se tornou também uma ameaça às nossas crianças. Eu protejo as minhas. Os petralhas, se quiserem, que entreguem as suas ao PT.

Arrematando
É evidente que as coisas fugiram do controle nesse particular — em São Paulo e em qualquer lugar. Pílulas estão sendo distribuídas nos postos de Saúde a meninas, ao arrepio dos pais. Não é uma questão de moral, como pensam os imbecis, mas de saúde mesmo. E, tenho notícias, elas também conseguem com facilidade a tal pílula do dia seguinte.

As nossas escolas não ensinam matemática.
As nossas escolas não ensinam a inculta e bela.
As nossas escolas não ensinam biologia.

As nossas escolas querem ensinar moral sexual — além, claro, das aulas de "cidadania"... Há, nisso tudo, um gigantesco preconceito, porque tais programas são especialmente pensados para os chamados adolescentes de baixa renda. As políticas públicas encaram essas pessoas como coelhos e cães na fase do cio das fêmeas. Sei que é uma surpresa para muita gente, mas o povão também tem valores — eu diria até que, em questões morais, eles podem ser mais rígidos (não quer dizer necessariamente melhores) do que os dos mais abastados.

A abordagem politicamente correta dessa questão, por incrível que pareça, apenas veste uma roupagem social, humanista e progressista num velho preconceito de classe: “O povo só pensa em fornicar. Precisamos dar um jeito de impedir que se reproduza”.

Mas, é claro, o reacionário sou eu. Protejam suas crianças!
                 Por Reinaldo Azevedo | 05:33 | comentários (262)  
                E a Marlene pediu um vermelho-e-azul... E levou um vermelho-e-azul
                Recebo o seguinte comentário de Marlene França, que assim se identifica: “Grupo Gestor Municipal do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas- Lucena-PB (com muito orgulho)”. Leiam (conforme veio_. Volto em seguida:

Primeiro quero lamentar a forma como o assunto foi tratado. Por isso, não é de se espantar que tantas pessoas tenham se manifestado. Discordo da maneira abusiva, discriminatória, preconceituosa e...como você tratou o assunto. Quero lembrar que o Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas é uma iniciativa do Governo Federal executado através do Ministério da Saúde e Educação. Tem se traduzido numa experiência fantástica em vários estados do Brasil. Na Paraíba tenho acompanhado o tratamento que vem sendo dado ao SPE e temos que reconhecer os resultados positivos que só foram possíveis com a implantação do SPE nas escolas. Todos os educadores são capacitados e orientados para promover as oficinas educativas e utilizado uma linguagem adequada para tratar de questões relacionadas à sexualidade do adolescente. Portanto, é preciso ter cuidado para não generalizar o assunto nem tratar com irresponsabilidade, pois existem educadores que têm conduzido esse assunto de maneira séria e competente e que por isso devem ser respeitados. Quanto à máquina dispensadora de preservativos nas escolas, assim como a distribuição gratuita nos postos de saúde, sou totalmente a favor, pois independentemente de trazermos um assunto tão polêmico para sala de aula, achando ingenuinamente de que estamos induzindo ou estimulando à iniciação sexual, o adolescente já vive intensamente sua vida sexual, o que a escola precisa fazer, e muitas delas estão fazendo, é orientar corretamente sobre o uso do preservativo (a utilização de uma prótese não vai desviar o objetivo da proposta) e mostrar possíveis consequencias sobre uma gravidez na adolescência ou não planejada (ao invés de precoce, como você afirma). Pensar que essa tarefa é de responsabilidade exclusiva e única da família é o mesmo que pensar que transar sem pela primeira vez não engravida. De que família você está falando? Àquela ausente, que mal se reune? Ou aquela que nem mais existe, já que cada membro foi para um lado diferente? Ainda sustenta que essa tarefa deve ser da família?
Marlene França
Grupo Gestor Municipal do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas- Lucena-PB (com muito orgulho)
Publicar Recusar (MARLENE) 17:37

Comento
Gostei da chamada “forma abusiva”. Quem não concorda com Marlene, a "orgulhosa", é um “abusado”. Já uma “prótese” (como ela diz), em sala de aula, parece-lhe coisa normal.

Todos os educadores são “capacitados”? É mesmo? Quem lhes deu tal capacitação? Cadê os professores dos professores de educação sexual? Em que escola estão sendo formados? Quantas horas-aula lhes são ministradas pelos ministérios da Saúde e da Educação? O nome disso, Marlene, é cascata, conversa mole, papo pra boi dormir.

Reparem que ela chama a máquina de camisinha de “máquina dispensadora de camisinha”. Submeteram a estrovenga ao vocabulário politicamente correto. Gravidez precoce também não é mais “precoce”. Isso seria preconceito! Agora ela é “não-planejada”. Assim, se uma menina de 12 decidir engravidar, isso não será nem precoce nem não-planejado, não é, Marlene? Sua “gestão” da educação sexual é tão boa quanto seu domínio da lógica? Que diabo você quis dizer com “achando ingenuinamente de que estamos induzindo (...)”? Sua gestão da educação sexual é tão boa quanto o seu domínio da inculta e bela?

Diz ainda a moça: “O adolescente já vive intensamente sua vida sexual”. Deixo o pleonasmo pra lá para indagar: adolescente? De 12 anos? As pesquisas disponíveis não endossam a sua afirmação. Os defensores do programa é que “vivem intensamente” a suposição de que os estudantes tenham uma vida sexual ativa (Leia o post "Ainda sexo 1"). De resto, Marlene: a gravidez na adolescência caiu em razão dos programas de educação sexual? E as DSTs? Elas cresceram! Vá pesquisar, Marlene! Vá estudar, mulher!

Finalizo destacando que a digníssima mal esconde que essa gente pretende mesmo ocupar o lugar das famílias. Já que estas andariam muito ocupadas, os valentes se dispõem a substituí-las. E põem pênis de borracha na mão de crianças de 12 anos para que elas aprendam a ser responsáveis e livres!!!

Seja menos orgulhosa, Marlene! E mais estudiosa, viu? Chamou a atenção do Tio Rei. Agora vai ter de ler bastante. Ou quer que o Tio faça um desenho pra você?
                  Por Reinaldo Azevedo | 19:10 | comentários (80)  
                UM VERMELHO-E-AZUL COM UM ILUMINISTA DA ESTROVENGA
                Um espertinho (ou espertinha) que, suponho, pertença ao Ministério da Saúde decidiu me mandar um e-mail demonstrando por que crianças de 12 anos devem manipular em sala de aula uma estrovenga de borracha. Publiquei o comentário e respondo porque exemplar do equívoco que cometem esses “Iluministas da Estrovenga”. Isto, leitores: doravante, chamaremos a Sociedade Amigos do Pênis de Borracha de “Iluministas da Estrovenga”. Vamos lá. O (a) iluminista em vermelho. Eu em azul.

Sabe qual é o seu problema?
Se eu tivesse apenas um, saberia...

É que você cria as premissas, da forma que bem entende, para depois deduzir as mais absurdas conclusões. Isso é uma falácia, palavra que emprego em sua acepção técnica.
Acepção técnico-filosófica? Você quer dizer que minhas conclusões são, digamos, verossímeis, mas falsas. Isso só para esclarecer, hehe. E por que você não emprega as palavras “dedução” e “conclusão” também na “sua acepção técnica”? Convenha: “deduzir conclusões”, como você escreve, é evidência de confusão mental.

Eu te pergunto: você acha que pregando a abstinência sexual na sala de aula os alunos deixarão de fazer sexo? Claro que não.
Em primeiro lugar, aponte um único texto meu em que defendo a pregação da abstinência como “a” forma eficaz de combater a gravidez precoce ou as DSTs. Você mente até quando faz uma pergunta. Em segundo lugar, recomendo que você estude o caso de Uganda, onde há um programa de abstinência muito bem-sucedido — aliás, a ação mais eficaz contra a aids na África subsaariana. Ah, sim: embora eu não tenha defendido a abstinência, que evidência empírica você tem de que um programa com essas características não funcionaria? Nem precisa me responder. Sei que você não tem nenhuma.

Essas políticas públicas são adotadas com esteio em dados que as fundamentam.
***Você não sabe o que quer dizer “esteio”. A política não é esteio dos dados; suponho, mesmo sendo vocês, que os dados é que são esteio da política. Mas vai ver você está mesmo certa (o): a política que vocês adotam escoram os dados — ou seja: é bem possível que suas aulas de educação sexual levem à prática sexual precoce. Ignorante!

Talvez ninguém esteja se importando com o que você diz, mas se você requerer ao Ministério da Saúde, certamente você obterá as informações que tanto deseja. Ademais, essas políticas públicas representam escolhas dos nossos representantes. Você não fala tanto das virtudes da democracia representativa? Pois então, agora ela não serve mais? Mas vamos ao texto.
Uma banana, macaco (a). Fosse assim, elegeríamos os nossos representantes e iríamos para casa, não é? E toda crítica, imprensa incluída, poderia ser extinta. É o seu sonho, sei. Ninguém se importa comigo? Pois é, vê-se...

Você diz:
"Qual é o pressuposto teórico para se levar a estrovenga para a sala de aula? Os adolescentes estão fazendo sexo inseguro, e é preciso tratar o tema sem tabus: mostrar mesmo como deve ser feita a prevenção, sem, como é mesmo?, “moralismos”. É o que a representante do Ministério da Saúde, em entrevista ao Fantástico, chamou de “aula prática”"
A melhor coisa do seu texto é quando você me copia...

Eu digo:
Se fosse possível materializar o número pi, certamente teríamos menos reprovações em matemática. Acontece que materializar o número pi é impossível, já "aulas práticas" sobre o uso da camisinha não é só possível como recomendável.
Xiii, você é muito cru para brincar de vermelho-e-azul. Errado, criatura! O fato de o número pi ser “imaterializável” abre possibilidades específicas de pensamento e raciocínio. Ademais, você endossa a perspectiva que anunciei: no seu raciocínio, quanto mais “prático”, melhor, não é? Afinal, você considera que agarrar o número pi seria mais útil aos alunos do que tê-lo no etéreo.

Você diz:
"E há na postulação um “raciossímio” anterior que chegou à seguinte conclusão: é a timidez na abordagem do assunto que leva os jovens a não se precaver. Haveria, portanto, uma relação de proporcionalidade entre o desassombro no trato da questão sexual entre crianças e adolescentes e o sexo seguro: quanto mais ousadia, mais segurança".
Quase digo: “Como você escreve bem!”. Mas lembrei que esse sou eu...

Eu digo:
É nesse momento que você "escolhe" a sua premissa, ou melhor, você "escolhe" a suposta premissa que teria levado o Ministério da Saúde a adotar essa política pública que você tanto repudia. Ela é falsa! Não há relação entre ousadia e prevenção, ninguém adotou esse absurdo como premissa. De onde você tirou isso? E mais, quem disse que "é a timidez na abordagem do assunto que leva os jovens a não se precaver"? Diga-me, quem disse isso? Mais uma vez eu digo e repito, não há relação entre ousadia e prevenção! É apenas, e tão só isso, uma escolha metodológica que tem como destinatários (e isso são os dados que dizem) aqueles que são afetados pela ausência de conhecimentos sobre prevenção e quejandos. Você consegue compreender isso? As aulas têm como destinatários os afetados pelo desconhecimento.
Dados uma ova! Os dados dizem que aumentou o número de meninas grávidas e de adolescentes com aids. Apesar — e temo que seja por causa — de suas aulas de educação sexual. A política dos Iluministas da Estrovenga é um desastre no que concerne a resultados. É você quem diz que haveria menos reprovações caso se pudesse pegar no número pi, não eu. A premissa é sua. Quanto aos “afetados pela ausência de conhecimento” (Deus meu! Onde você “aprendeu” a escrever?), bem, você nada mais faz do que endossar um preconceito que já denunciei aqui: o povo só pensa em fornicar, não é mesmo? Ademais, todos desconhecemos quase tudo. A questão é de método. E eu não lhe dou o direito, que você não tem, de interferir na orientação moral das famílias. Cadê o currículo-base da orientação sexual? Qual é a formação específica do profissional? Pare de mentir!

Caso esses argumentos ainda não te tragam luz, vá pregar abstinência sexual para alunos de alguma escola pública do Capão Redondo, quem sabe você não nos surpreende!?
Publicar Recusar (MS - SAS - DAPE - DECA) 19:28
De novo, a demofobia. Segundo entendo, a abstinência poderia ter alguma chance de sucesso em Higienópolis ou no Alto de Pinheiros (bairros ricos de São Paulo), mas não no pobre Capão Rendondo.... Huuummmm... Pobre é assim mesmo, né? Quando não tem o que fazer, ou canta rap ou fornica — no Nordeste, as rendeiras e as lavadeiras cantam músicas folclóricas...

Olhem a gente horrível, equivocada, ignorante, que cuida da educação sexual das nossas crianças. Isso baba preconceito. Não é por acaso que José Gomes Temporão, o chefe da torcida, é um entusiasta do aborto, a cavaleiro de números fantasiosos sobre a prática no Brasil. Fantasiosos por quê? Porque inexiste impresso, protocolo ou qualquer base material de dados para notificar a prática.

Os progressistas do Iluminismo da Estrovenga e do aborto são, de fato, uma horda de demofóbicos. Mas a criatura aí acima deve se achar o suprassumo do progressismo e está convicta de que o reacionário sou eu.

O próximo, por favor...
                  Por Reinaldo Azevedo | 06:25 | comentários (173)  

TODA ESCOLA TEM DE TER UMA ESTROVENGOTECA
Leitores me perguntam de que cor é o pênis usado naquela escola de São José do Rio Preto, que tanto excita a imaginação dos Iluministas da Estrovenga. Rosa! A estrovenga é cor-de-rosa. Pena eu não poder publicar aqui a foto do, como direi?, instrumento que está sendo manipulado em sala por crianças de 12 anos.

Sim, os mais atentos já perceberam que há nisso um problema grave: discriminação, que alguns chamam “racial”. É claro que as outras cores de pele também têm de estar representadas na sala de aula. Na se deve passar às crianças a informação errada de que toda estrovenga é rosa — até porque, bem..., rosa, rosa, rosa, nenhuma é, né? A região costuma ter um pouco mais de melanina do que o resto do corpo.

Nesse caso, acho que os educadores sexuais do ministro Temporão têm de seguir o critério de cotas que foi aprovado na câmara. Cada escola pública deve ser dotada de uma “Estrovengoteca”, reunindo pênis de várias cores, segundo, como é mesmo aquele projeto aprovado com a ajuda do tucano Paulo Renato (PSDB-PT)?, o perfil racial de cada região.

E, claro, dúvidas me assaltam, não é? Seguindo adiante no princípio abraçado pelos Iluministas da Estrovenga, aprendemos que um aluno ou aluna só entende o que é camisinha quando vê uma e só entende o que é pênis quando diante da representação a mais concreta possível do dito-cujo. E o sêmen, que, afinal, é um “x” da questão? Por favor, sem especulações a respeito nos comentários.

Essa gente tem de ir até o fim em suas aulas pornoéticas aderindo também às aulas pornoétnicas.

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