Jornal Mineiro de Psiquiatria


Cheiradores e falsos mitos

por Reinaldo Azevedo

 

Nos EUA ou no Brasil, observem que os consumidores de cocaína são uma extrema minoria. Na estatística, beiram o traço. E, no entanto, vejam o estrago que faz na Segurança Pública, não é?

Deixe-me ver se pressinto o que vêm por aí: “Estão vendo? O consumo aumentou. O combate à droga é inútil. O jeito é descriminar”. Sim, dá para, sem querer ser engraçadinho, sentir o cheiro da análise.

Não é, não. Vocês acham que os consumidores de cocaína seriam apenas 0,4% dos brasileiros se essa droga fosse legalizada? Legal, o preço também cairia, é claro, segundo as leis do mercado. Seria acessível a muito mais gente. O consumo explodiria.

Ah, mas estaria resolvido o problema da violência urbana. Bem, não estaria. O problema do crime é a impunidade. Se ela permanece, os impunes mudariam de ramo. E as conseqüências na saúde pública, decorrentes da popularização da droga, seriam desastrosas. Se o álcool é um flagelo, embora demore, em média, 20 anos para matar um viciado, imaginem o que ocorreria com a cocaína.

Sim, apenas uma minoria extrema consome as chamadas drogas ilícitas — consumidores que são elos do crime organizado, sim, senhores —, mas é uma minoria expressiva quando considerados os números absolutos. Acaba a fantasia de que o Brasil era apenas uma rota de passagem.

Não! Os nossos cheiradores têm a sua grande parcela de responsabilidade no crime organizado. E estão aqui, entre nós.
  
 
Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína das Américas, diz ONU
Sei que vocês já leram, mas faço o registro. Comento no post acima:

Por Fernanda Barbosa, na Folha:
O Brasil é o segundo maior mercado de cocaína das Américas, com cerca de 870 mil usuários adultos — entre 15 e 64 anos —, somente atrás dos EUA, que possuem cerca de 6 milhões de consumidores da droga.
As informações constam no Relatório Mundial sobre Drogas de 2008, lançado nesta quinta-feira no Instituto Internacional da Paz em Nova York, pelo diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Antonio Maria Costa.
O maior número de usuários brasileiros se concentra nas regiões Sudeste e Sul do país.
No Sudeste, 3,7% da população adulta usa a droga pelo menos uma vez ao longo de sua vida. No Sul, a quantidade é de 3,1%. No Nordeste e Norte os usuários representam 1,2% e 1,3% da população, respectivamente.
Pesquisas domiciliares realizadas no Brasil mostraram o aumento na prevalência anual (o uso pelo menos uma vez ao ano) de 0,4% dos adultos em 2001 para 0,7% em 2005.

Tráfico
Foi relatado o aumento do tráfico da droga nos Estados do Sudeste do país, o que pode indicar uma concentração de cocaína na região, segundo o relatório.
O aumento da droga no mercado interno brasileiro pode ter sido causado pelas rotas do crime organizado internacional que, segundo o relatório, passa pelo país no caminho os produtores andinos --Colômbia, Bolívia e Peru-- e segue para a Europa.
O Brasil também é responsável pelo maior volume de maconha apreendido na América do Sul no último ano, com 167 toneladas. A maconha produzida no país é utilizada em sua maior parte para uso doméstico e não apresenta parcela significativa entre os grandes produtores da droga na América do Sul.
No entanto, o consumo da maconha e do haxixe entre brasileiros aumentou duas vezes e meia, o que reflete a expansão da oferta de derivados de cannabis no vizinho Paraguai. Em 2001, 1% dos brasileiros consumia a droga. Em 2005, o número chegou a 2,6%.
De acordo com pesquisas domiciliares (CEBRID 2005), o Brasil também é o maior mercado de opiáceos na América do Sul, com cerca de 600 mil usuários -- 0,5% da população adulta.
 

 

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