PRiSM
Psychosis Study
Limitações do design,
conclusões questionáveis
autores:
MAX MARSHALL, GARY BOND, LEONARD i. STEiN, GEOFF SHEPHERD, JOHN
McGREW, JOHN HOULT, ALAN ROSEN, PETER HUXLEY, RONALDJ. DIAMOND, RiCHARD
WARNER, MELODYOLSEN, ERIC LATIMER, PAULA GOERING, TOM K. j. CRAIG, NEIL
MEISLER and MARY ANN TEST
A proposta
deste trabalho é comentar a pesquisa do PRiSM Psichosis Study
(BJP, 173, 363-427; novembro 1998). Em particular, nos concentramos
na racionalidade da pesquisa, métodos e conclusões.
Em essência, o trabalho do PRiSM tem três pontos fulcrais.
1) sugere que o PRiSM é o primeiro a examinar como uma específica
assistência comunitária dada como "eficaz" em
estudo experimental é "efetiva" em "circunstâncias
de uma clínica normal" (Thornicroft et al, 1998a, p. 363).
2) Defende que a força do estudo do PRiSM fez dele um trabalho
único e de particular relevância (idem, p.423). 3) Trata
da afirmativa que o estudo do PRiSM prova que as interversões
comunitarias são efetivas, mas que essa efetividade são
"diluídas nas práticas clínicas normais"
(ibiden, p. 425). Como vamos mostrar a seguir, acreditamos que o PRiSM
Study esteja errado nos três pontos.
É
O PRiSM STUDY O PRIMEIRO ESTUDO DE “EFETIVIDADE” A RESPEITO
DAS ESPECÍFICAS INTERVENÇÕES ASSISTENCIAIS COMUNITÁRIAS?
Vamos partir da afirmação dos autores de que faltam estudos
sobre efetividade nos serviços de assistência comunitária.
Os autores asseguram que “Eficácia significa como e quando
uma internação alcança êxito em suas intenções
sob as condições ideais de experimentação
cientificamente controladas…”, enquando “efetividade…
tem sido definido como… ‘a extensão que uma determinada
intervenção específica, em condições
clínicas normais, consegue seus objetivos’” (op.
cit., p. 363). Começar pelo acompanhamento editorial (Tyrer,
1998), permeado pelos dez trabalhos, é recorrer à redundante
afirmativa de que a pesquisa sobre serviço existente de assistência
comunitária (AC) consiste em pesquisa de eficácia. Se
os autores querem dizer que existem vários bons estudos experimentais
a respeito dos atendimentos comunitários, então, sim,
seria verdade existirem ao lado desses bons estudos não-experimentais
(Mueser et al, 1998; Marshal & Lockwood, 1998). Todavia, a pretensão
de que a literatura existente sobre AC reporta trabalhos feitos “sob
condições abaixo do ideal”, enquanto o estudo do
PRiSM foi feito “sob condições clínicas normais”,
é injustificado, como uma vasta literatura a respeito de AC pode
facilmente mostrar. Por alguma razão, programas de AC se disseminaram
nos EUA, Austrália e por toda parte (Teesson & Hambridge,
1992; Hambridge & Rosen, 1994; Deci et al, 1995; Meisler, 1997)
e vários desses programas foram avaliados (Bond et al, 1995;
Mowbray et al, 1998). É também incorreto dizer que os
estudos experimentais de AC se “deram abaixo das condições
ideais” e não “sob circunstâncias do atendimento
clínico normal”. Uma cuidadosa leitura das duas dúzias
de ensaios experimentais randomizados (EER) sobre AC, começando
com o trabalho original de Stein & Test’s (1980), mostra isso
sem dúvida; esses trabalhos foram conduzidos de forma inequívoca
dentro do mundo real. Estudos de AC existentes foram chamados de primeiros
exemplos de “pesquisas de efetividade” em uma recente revisão
bibliográfica a respeito do assunto (Wells, 1999). Assim, ao
contrário do que disseram os autores, o estudo do PRiSM não
foi o “foi o primeiro a mirar… a efetividade mais do que
a eficácia dos serviços de assistência comunitária”
(Thornicroft et al, op. cit, p. 363).
Não é o único, não é o primeiro estudo
de efetividade, e é duvidoso que o PRiSM seja um estudo de efetividade
inteiramente. Na introdução do trabalho (op. cit., p 363,
acima referido) os autores do PRiSM Study definem um estudo de efetividade
como um trabalho de implementaçào de “uma específica
intervenção… em circunstâncias de uma clínica
normal” (itálico nosso). O termo “específico”
é vital aqui porque ele se refere ao fato de que a intervenção
em estudo de “efetividade” é a mesma intervenção
dos estudos de “eficácia”. Segue-se desta definição
que o estudo de efetividade deve aderir a um determinado modelo de atendimento
que já foi avaliado em um estudo de eficácia e pode ser
em seguida comparado a uma clínica comum. Existem três
razões para se cocluir que o PriSM Study não seguiu esses
critérios.
Razão 1: A intervenção do PriSM
Study não é de um modelo simples de assistência,
mas um mix de dois modelos. No PriSM Study a assistência é
feita por uma equipe psiquiátrica de emergência (EPE),
descrita como tendo uma carga horária de 56 horas por semana
(diariamente das 9 às 17h) e por uma equipe psiquiátrica
de manutenção (EPM) que assistiam os pacientes crônicos
(Becker et al, 1998). Os resultados do setor Nunhead (um dos dois setores
geográficos estudados) não esclarecem quantos pacientes
foram assistidos pela EPE e quantos o foram pela EPM, ou quantos não
receberam nenhuma assistência ou receberam ambas. Os casos intermediários
aos dois modelos fizeram a avaliação de cada um deles
impossível.
Razão 2: Nenhum dos dois modelos é claramente
relacionado ao modelo de assistência relatado no estudo de eficácia.
As descrições dos modelos estão incompletas, então
fica difícil fazer um jugamento definitivo. Todavia, mais do
que um modelo particular, EPE parece ser um serviço inovador,
parece ser uma assistência de crises. A EPE não aparenta
ter muita ligação com o restante da AC, tendo uma responsabilidade
apenas pontual em relação à assistência como
um todo (Test, 1992). A denominação da EPM leva a crer
que esse serviço faz parte do Programa de Tratamento Comunitário
(Stein & Test, 1980) - o que fica explícito no editorial
(Tyrer, 1998), -- mas as descrições dos procedimento faz
pensar em outra direção. Por exemplo, enquanto os autores
nos provêem de algumas informações a respeito do
setor intensivo, eles não dão informações
básicas sobre o tamanho do EPM nem de sua carga de trabalho.
Até os autores devem estar a par que a proporção
cliente/pessoal na razão de 10/1 é considerada ótima
para um AC segundo experts (McGrew & Bond, 1995) e universalmente
aceito na prática (Teague et al,1998). A maioria das pesquisas
nessa área têm ensinado lições de estudos
psicoterápicos e atualmente usam escalas etabelecidas de fidelidade
para assegurar que seja verdade o que a sigla EPM designa (McGrew et
all, 1994). Os pesquisadores do PriSM não fizeram isso, mas nada
parece inferir (Thornicroft et al, 1998b) – como faz o editorial
Tyrer, 1998) – que a AC oferece algumas vantagens na prática.
Não é possível concluir que a AC não funciona,
ou que seus efeitos são diluídos, sem primeiro demonstrar
que ele foi implementado corretamente em primeiro lugar.
Razão 3: o tratamento intensivo não é
muito diferente do atendimento clínico comum. Mesmo que aceitemos
as avaliações do PriSM em seus próprios termos,
é correto dizer que os autores um estudo claro de efetividade
em suas intervenções? Um princípio científico
fundamental em programas de avaliação é ter certeza
de que as condições experimentais e de controle são,
de fato, diferentes. Em um programa modelo de avaliação,
a qualidade e intensidade dos serviços proporcionados ao grupo
experimental deveria exceder à qualidade e intensidade de serviços
proporcionados ao grupo controle. De acordo com os próprios índices
colhidos, os autores encontraram que os serviços do setor intensivista
começaram pior do que os serviços do setor de manutenção
em 1991, um ano antes da coleta de dados começar. Em 1996, o
escore somado foi 30 (abaixo dos 40 considerados índice de qualidade)
para o setor intensivista, apenas acima dos 26 pontos dados ao setor
de manutenção (Becker et al, 1998). Portanto, não
está de todo claro que o setor intensivista recebeu serviços
mais intensivos ou mais adequados do que o setor manutenção.
A falta de informações sobre dados psicométricas
proibe-nos de tirar conclusões mais específicas, com exceção
da conclusão, admitida pelos próprios autores, de que
a "implementação dos serviços comunitários,
no setor intensivista, foi incompleta" (Becker et al, 1998, p.
374).
É
O ESTUDO DO PRiSM ORIGINAL?
Os autores asseveram que o PRiSM possuis seis pontos (Thornicroft et
al, 1998b, p.364) e isso faz dele um estudo único. Entretanto,
cinco desses pontos são amplamente encontrados em outros trabalhos.
Por exemplo, os autores afirmam que é raro que os programas de
AC atenderem a pacientes com problemas de uso de drogas. Pelo contrário,
esses pacientes tendem a se alojar nos serviços de AC (Drake
et al, 1998). Igualmente, o estudo do PRiSM não é o único
a examinar "um serviço clínico de rotina, e também
não foi criado especialmente para o período de pesquisa"
(Thornicroft et al, 1998b, p.364). Há 20 anos têm sido
produzidos trabalhos em serviços comunitários de rotina
nos EUA e na Austrália. Observando as outras "originalidades"
do estudo, vemos que ele não é o primeiro a avaliar um
programa em um ambiente metropolitano (Witheridge et al, 1982; Morse
et al, 1992), nem é o primeiro a usar uma extensa variedade de
mensuração de resultados (Mueser et al, 1998) e não
é raro que haja um período de dois anos de segmento -
existem dez pesquisas randomizadas de AC que tiveram períodos
de seguimento de dois anos ou mais (Marshal et al, 1998; Marshall &
Lockwood, 1998). Tomados individualmente, portanto, cada um desses atributos
é encontrado em vários outros estudos de AC, embora também
seja verdade, em apoio ao ponto de vista dos autores, muitos poucos
estudos anteriores satisfaçam todos esses critérios.
De fato, somente um das seis "originalidades" reivindicados
pelo estudo - ie, que ele teria "bases epidemiológicas"
- é relativamente uma novidade e poderia diferenciar dos trabalhos
anteriores a respeito de AC (Thornicroft et al, 1998b, p. 423). Infelizmente
essa "originalidade" atualmente pode refletir uma fragilidade
de amostragem. O que essas "bases epidemiológicas"
parecem indicar é uma redefinição do público-alvo
do setor intensivista em relação aos estudos anteriores.
Assim, 1/3 das amostras não tinham transtornos de conduta, 1/4
tinham um ou poucos sintomas (Wykes et al, 1998, p. 385), e alguns nunca
foram admitidos em hospitais. Conseqüentemente é questionável
se uma substancial proporção da amostra do estudo jamais
foi admitida em outros projetos de AC. Stein & Test (1980) propuseram
duas décadas atrás que o AC deveria ser reservado aos
pacientes mais necessitados, e a vasta maioria dos programas de AC seguem
esse critério. Prover assistência intensiva para paciente
sem transtorno de conduta ou com ausência de internação
hospitalar não faz sentido. Ademais, o projeto do setor intensivista,
como está descrito, parece representar uma má aplicação
de um conhecimento básico adquirido há mais de 20 anos.
O estudo
do PRiSM provou que essa específica intervenção
é efetiva, mas esta efetividade fica “diluída na
prática ordinária”?
Os pesquisadores do PRIsM afirmam que o estudo que fizeram mostrou que
“os benefícios comprovados em estudos experimentais podem
ser replicados em serviços de rotina”, mas também
afirmam que “podem ocorrer diluições” (Thornicroft
et al, 1998b, p. 426). Ambas as afirmações são
incorretas. A primeira afirmação é incorreta porque
o que atualmente as pesquisas têm mostrado é que não
existem diferenças significativas a favor do setor intensivista
em relação a nenhuma das variáveis. A segunda afirmativa
é falsa porque um efeito não-existente não pode
ser “diluído”.
Desafortunadamente, se positivo ou negativo, os achados do estudo PRiSM
são sobejamente irrelevantes porque houve falhas críticas
nas salvaguardas internas de validade. Em essência, o estudo é
de coorte médio, não randomizado e de baixa taxa de seguimento
(às vezes menos de 40%). Ademais, devido ao fato que os dados
não terem sido coletados no mesmo período nos dois setores
(“período 1” em 1992-1993 no setor intensivista e
1993-1994 no setor de manutenção), o estudo é vulnerável
pela confusão histórica (Cook & Campbell, 1979). Ainda
mais criticável, as amostras nos dois setores não foram
bem escolhidas antes do tratamento; ao contrário, os paciente
do setor intensivista são mais incapacitados do que os pacientes
do setor de manutenção (Wykes ET AL, 1998). Esta é
a falha maior em qualquer desenho semi-experimental. Podemos resumir
o trabalho inteiro nas palavras que os autores usaram para descrever
seus achados em relação à qualidade de vida: “Grandes
e essenciais diferença entre os setores fizeram a interpretação
dos resultados muito difícil” (Taylor ET AL, 1998, p. 62).
Em suma, nosso ponto de vista é que o estudo do PRiSM não
é o único trabalho sobre efetividade; na verdade ele parece
ser uma inconsistente avaliação de serviço. Discordamos
fortemente da conclusão dos autores de que o PRiSM nos diz mais
do que os achados que os 30 ou mais estudos na área (Mueser et
al, 1998). Para nós, essa afirmação nos parece
uma inversão dos princípios da medicina baseada em evidência.
Mesmo que os autores possam ter demonstrado que suas aplicações
do modelo de AC foi "diluída" quando aplicado no serviço
clínico comum, eles não demonstraram as fraquezas de tais
serviços, mas somente a implementação incorreta
deles. Embora não seja fácil implementar as AC comme il
faut, algumas equipes fizeram isso muito bem (Teague et al, 1998).
Finalmente, entendemos as reservas do UK a respeito das aplicações
dos achados no sistema de saúde da UK. Por essa razão,
a despeito das pressões internacionais favoráveis à
AC, ‘há lugar para os serviços de AC na UK. Contudo,
pesquisas precisam ser feitas com clara visão do que deve ser
implemetado, e deve haver monitoramento da qualidade dos programas.
As propostas para o Serviço Nacional de Saúde e para o
Serviço Social na UK devem acrescentar a falseabilidade
Em suas pesquisas para remover as barreiras artificiais à assistência
coordenada (Departamento de Saúde, 1998). Ainda que os achados
de cada pesquisas sejam aproveitáveis, nós instamos aos
responsáveis pela política de saúde da UK confiar
nas numerosas pesquisas sobre AC conduzidas de forma mais adequada do
que esse falho estudo do PRiSM.
KAX >',Af
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umver^ty of 3outh Carolina, Chariton, SC, USA; MARV.AfNtfvl TEST, PhD,
School of Social Work, University of Wscorsn. vtdfeon, Wl, USA
ax Marshall and Gary Bond wrote the original draft with assistance from
Geoff d Leo^a^d Stein and John McGrew. Al Rosen, Ncil Meisler. Melody
Olsen. Peter Huxley, Dick Rrvt Dizmond, John Hoult, Pauia Goering, Crie
Lalimer and Tom Craig commenteri on the draft, rations and expresscd
a wish to be^ co-sigriaíoríes. Mary AnnTest expressed
a wish to be a
Cc^^espcndence: Dr M. Marshall, Department of Communtty Psychiaíry,
University of Manchester, Guitd Academir Centre, Roya! Preston Hospital
Sharoe Greeíi Lïde, Preston PR2 9HT
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