Ingenuidade
ou malícia?
Por Humberto Campolina
“Tudo
me é permitido, mas nem tudo convém.” São Paulo
na Primeira Epístola aos Coríntios (1 Cor. 6:12)
“Se o fim é usado para justificar os meios, é porque
há nestes alguma coisa que, na realidade, não é digna
de luta.” Milovan Djilas
"Quando a psicologia e a sociologia degeneram em ciências totalitárias,
manifestam-se estranhos fenômenos entre seus adeptos. O desejo de
poder domina o desejo de verdade." K. Jaspers
Tenho uma curiosidade - como direi? - transcendental em saber o que Freud
acharia da obra de Lacan. O que pensaria esse vienense discreto e circunspecto,
dono de uma escrita esmerada, límpida e elegante, dos maneirismos
do parisiense, seus rococós literários, seus jogos semânticos
obscuros que, bem espremidos, nada jorram senão platitudes e nonsense
(além de embustes, como os denunciados por Alan Sokal em Imposturas
Intelectuais, Ed. Record, 1999). Ou se viesse a ler, com aqueles olhos
percucientes por trás dos aros arredondados, frases como “Todo
ato que marca, que conta é, por assim dizer, delinqüente”,
ou expressões como “objetos mais-gozar”. Pois bem,
estas pérolas, entre outras, se encontram grafadas no artigo A
clínica da passagem ao ato, opúsculo da lavra do lacaniano
Francisco Paes Barreto.
Trata-se de um artigo escrito em princípio para fins de discussão
de caso, mas que ao fim e ao cabo visa provar – surpresa! para quem
conhece o autor – que o CERSAM (o CAPS mineiro) não dá
conta de pacientes psicóticos graves, ipso facto faz-se necessário
a constituição de “...espaços fechados e meios
próprios para a contenção” (idem do mesmo artigo,
como todas as frases que adiante aparecerem aspadas ).
Entendi errado ou é o que diz o texto seguinte?
“Se forem extintos os hospitais psiquiátrico que ainda
dão cobertura à rede, os CERSAMs simplesmente entrarão
em colapso.”
“A razão é simples: eles [os CERSAMs] não
estão estruturalmente preparados para receber todos os casos de
urgência em saúde mental”.
“Existem casos de psicoses, por ex., em que a vigilância
e a medicação são insuficientes; casos com passagens
ao ato ou com agitação descomedida [sic], e que
apresentam tais disposições de forma persistente,d por períodos
que podem chegar a vários meses.”
“Em minha opinião, os CERSAMs estão de fato preparados
para atender a maior parte das urgências. Mas, não todas.”
“Eis um ponto cego da luta antimanicomial: não é o
manicômio que cria a segregação. A segregação
do louco é estrutural.”
“Situar certos psicóticos invadidos pelo gozo avassalador
[sic] num espaço aberto e livre, como os atuais CERSAMs. É
uma impropriedade.”
O conteúdo das frases supracitadas, este escrevinhador vem reiterando
ad nauseam, aqui neste espaço, pelo menos desde a fundação
do Jornal Mineiro de Psiquiatria, em 1997. Mas agora, – outra surpresa!
– no lugar onde está, e por que lá está, não
o subscreveria. Pelos motivos que exponho a seguir.
Barreto é um dos três mosqueteiros (os outros são
o lacaniano Antônio Beneti e o basagliano Cézar Campos, este
já morto) que lideraram em Belo Horizonte o que eles próprios
denominaram “reforma psiquiátrica”, movimento que,
entre outras coisas, consistiu em demonizar os hospitais psiquiátrico
mineiros, principalmente os privados (pois os públicos estavam
e estão sob o poder dos companheiros), apodando-os de “manicômios”,
mas cuidando de jamais definir este termo, e a entronização
da psicanálise lacaniana, juntamente com as teorias antipsiquiátricas
de Foucault e Basaglia, como princípio norteador da clínica
psiquiátrica mineira. Competentemente conseguiram o intento e,
assim, os “loucos invadidos pelo gozo avassalador” seguiram
sendo postos nas ruas ("desospitalizados", segundos um dos neologismos
que a reforma perpetrou) ou foram “situados num espaço
aberto e livre como os atuais CERSAMs (...) que estão preparados
para atender a maior parte das urgências, mas não todas.
[O que] é uma impropriedade” [pôr os loucos
no CERSAM].
Portanto, quem te viu, quem te vê, Barreto deu uma guinada de cento
e oitenta graus em sua teoria a respeito da internação psiquiátrica,
que anteriormente achava desnecessária dada à ausência
de periculosidade dos doentes mentais (costumava dizer que os “normais”,
a quem chamava de normopatas, eram os mais perigosos...). Ou então
ele não escreveria: “Há casos [de doentes]
que não deveriam ser atendido ali [no CERSAM]. Não
por falta de treinamento de pessoal. Trata-se de despreparo estrutural [dos CERSAMs]”. O que aconteceu na cuca do mais celebrado ideólogo
do movimento “antimanicomial” mineiro (repito o que disse
em artigo anterior: as aspas ficam por conta da fachada adjetiva; e doravante,
neste artigo, grafarei MA)?
No caso, portanto, não há como não pensar em duas
hipóteses: a) Barreto não atinara para as conseqüências
do fechamento indiscriminado de leitos hospitalares, mas foi sensível
à (má) experiência, e arejado o suficiente para, recentemente,
concluir que determinados psicóticos graves necessitam da contenção
tipo internação; b) Barreto sempre soube que o tratamento
de pacientes psicóticos graves é inviável sem uma
contenção tipo internação, mas se omitiu enquanto
os hospitais iam sendo destruídos física e moralmente pelo
movimento do qual ele era (é) parte do think tank, e assim que
a obra foi consumada, e o poder conquistado, ele se viu com as mãos
livres para tratar a questão. Uma segunda conclusão que
se pode tirar desta hipótese é que o objetivo final seria
a estatização das internações na forma de
“CERSAMs fechados”.
Peço ao leitor que escolha a hipótese que lhe parecer mais
apropriada, mas não sem antes sopesar o seguinte fato: Barreto
é um médico formado nos anos 60 do século passado,
tendo feito residência no Hospital Galba Veloso sob orientação
do eminente psiquiatra mineiro Jorge Paprocki, e desde então freqüenta
como médico e professor de residência o Instituto Raul Soares,
conhecido hospital psiquiátrico público de Belo Horizonte,
por onde passa grande parte dos “loucos invadidos de avassalador
gozo” da cidade, e onde Barreto deve ter no mínimo 40 anos
de freqüência diária!
Ora, se qualquer residente de primeiro ano do IRS, aluno de Barreto, sabe
que “Um sujeito psicótico com sério risco de passagem
ao ato pode requerer vigilância assídua” e os
“CERSAMs não estão estruturalmente preparados
para receber todos os casos de urgência em saúde mental”,
penso ser próximo de zero a possibilidade de Barreto ter chegado
a tais conclusões somente agora. Logo, trata-se antes de uma questão
ética do que técnica. E de lógica.
Volta-se, então, ao problema do uso político do prestígio
científico. Não é um fato novo. Parece, nietzcheanamente,
um eterno retorno. É o caso, por exemplo, da genética de
Lysenko, que em 1935 denunciou oficialmente, com o aplauso de Stalin,
as descobertas de Mendel e Morgan como “desvio fascista da genética”,
para em seguida destruir a lavoura soviética com suas teorias.
O exemplo é eloqüente por si mesmo e não quero ir muito
longe. Pretendo ficar na questão psiquiátrica.
Barreto, ao que parece, seguiu a máxima de que os fins justificam
os meios. Eis o perigo. Trata-se da diretriz básica de praticamente
todos – repito: todos! (podem pesquisar) – regimes totalitários
do século XX. O totalitarismo é sempre messiânico
e vice-versa. Alucinam um futuro-paraíso e, para chegar a esse
fim, topam quaisquer meios, mesmo se sórdidos. O MA tem esse DNA.
Isso explica o pensamento monolítico dos integrantes do poder público
em saúde mental de Belo Horizonte, cuja nomenklatura é toda
composta por ativistas forjados no MA mineiro. Eles têm o que denominam
“projeto para saúde mental”, evidentemente impermeável
a influências proveniente de fora das hostes dos companheiros. E
quem não se enquadrar no “perfil” (outro eufemismo,
utilizado para marcar e demarcar a diferença e os diferentes) do
projeto e/ou companheiros está sumariamente excluído.
Desconsideração da moralidade dos meios, idealização
e sacralização de fins abstratos, demonização
e exclusão das diferenças e diferentes e, last not least,
produção de uma linguagem que, enquanto esconde os fatos,
desenha uma "realidade" conveniente aos companheiros, são
uma conjunção de sinais e sintomas patognomônico de
um projeto, sim, mas um projeto político, e, mais ainda, um projeto
político totalitário. Esses são os traços
que marcam como varíola a face do MA.
Essa caraça bexigosa ornamenta, há pelo menos duas décadas,
as instituições psiquiátricas mineiras mais importante,
da assistência pública à Associação
Mineira de Psiquiatria. Outras instituições menores ora
exercem uma anêmica oposição ao establishment, ora
a ele aderem humildemente, se contentando com as migalhas jogadas com
desdém. Além dos óbvios desvirtuamentos éticos
(e estéticos...), há ao menos dois prejuízos técnicos
não-contabilizados.
Primeiro, a psiquiatria mineira se transformou num gueto lacan-foucaut-basagliano
em relação à psiquiatria brasileira que, comandada
pela Associação Brasileira de Psiquiatria, caminhou em direção
a uma psiquiatria moderna, ensinada (e pesquisada) nos centros de referências
internacionais. E, segundo, os prejuízos para os pacientes que
não têm recursos de assistência fora do SUS. Mas aqui
tenho que fazer uma digressão e voltar ao artigo referido no início
deste trabalho. Ao leitor impaciente, espero não me alongar mais
que o necessário.
A clínica da passagem ao ato, escrito para defender a tese de que
“tais psicóticos [os invadidos pelo gozo avassalador...]
seriam mais bem acolhidos em um espaço fechado”,
como disse, apresenta um caso clínico. Trata-se de um paciente
da assistência pública de Belo Horizonte, de nome Davi (fictício,
presumo) e 32 anos de idade na época da internação
(1997). A descrição do caso é uma crônica de
fases de agitação associada à extrema agressividade
contra objetos e pessoas intercaladas por períodos em que está
“silencioso, deprimido e arredio”; errância
entre hospitais psiquiátricos públicos e CERSAMs, adornada
por mirabolantes interpretações lacanianas; e por fim, em
2002, “foi encontrado dependurado a uma árvore nos fundos
do lote onde morava, com uma corda amarrada no pescoço”.
Inicialmente li atentamente o artigo procurando o diagnóstico psiquiátrico
do caso em questão, e somente encontrei o seguinte:
- “Seu corpo está maltratado, mas se observam ornamentos
e traços de pintura sobre a pele, como se estivesse preparado para
a grande festa, aquela que, segundo Freud, celebra o triunfo das exigências
pulsionais sobre a herança paterna...”
- “O CERSAM é para ele como um território: domínio
identificatório e domínio do gozo.”
- “Conforme sugestão de Geneviève Morel sobre a ‘função
do sintoma’, ele se coloca como um x que sustenta para uma instituição
y uma ordem z.”
- “Seu corpo parece funcionar como refúgio contra o desencadeamento
e para fazer valer.”
- “O culto do corpo, presente em ambos [Janis Joplin e Bruce Lee,
temas do delírio do paciente], parece vir da vacilação
do nome próprio.”
- As passagens ao ato estariam (...) coordenadas a uma irregularidade
do Outro e à posterior recomposição dessa autoridade.
Se isso é verdade, o apelo reiterado à internação
pode ser lido como apelo à regularidade do Outro”.
Depois fui em busca do tratamento. Além das citadas mirabolantes
interpretações lacanianas (pensando bem: não cometo
aqui uma redundância?), somente encontrei uma referência en
passant à palavra “neurolético”, mas sem a nenhuma
menção de qual e quanto. Fiquei me perguntando: essa alternância
entre períodos de agitação e fases de depressão
não consignaria um Transtorno Bipolar? Será que estavam
prescrevendo ao paciente estabilizador de humor, por exemplo, lítio
ou ácido valpróico? O texto barretiano nada nos informa.
Pronto, já estou a ouvir os acólitos do MA, principalmente
da banda lacaniana, me demonizando (demonizar, eis o método de
trabalho de gente que jamais argumenta): lá vem o psiquiatra organicista,
ou, como gostam de dizer, “psiquiatra clássico”.
(Aqui faço um parêntese. Os prosélitos do MA têm
o termo “clássico” na conta de superado ou démodé.
Será que jamais sentiram um dia o intenso prazer de folhear Homero,
Safo, Virgílio, Horácio, Dante, Camões, Cervantes,
Flaubert, Balzac, Padre Antônio Vieira, Padre Manuel Bernardes,
Stendhal, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Marcel
Proust e caterva, esses clássicos de quatro costados? Preciso citar
a chamada música clássica?)
Voltando. Uai, mas esse caso não foi apresentado na Faculdade de
Medicina da UFMG, com apoio da Associação Mineira de Medicina,
em meados de junho 2007? Portanto, um caso psiquiátrico, apresentado
numa escola de medicina por uma associação psiquiátrica,
é natural que se esclareça o diagnóstico e a medicação
prescrita, não? Ou a psiquiatria não é mais um ramo
da medicina?
Pois é, eis um tópico que tenho denunciado há dez
anos neste espaço: a “reforma psiquiátrica”
não reforma - ela deforma a psiquiatria. Por um motivo simples:
é, digamos, norteada por teorias antimédicas. E a psiquiatria
– e é já um sintoma da deterioração
cultural em que vivemos ter de dizer isso -- não tem saída
fora da medicina. Amputada a ciência médica, a psiquiatria,
ou o que restou dela, transforma-se incontinenti em ideologia de cunho
inequivocamente político, ou seja, em algo como o MA. Que o digam
Laing & Cooper, a antipsiquiatria e a conseqüência inevitável
desses desvios de conduta: a malfadada Kingsley Hall.
Nossa especialidade é matéria interdisciplinar, e me permitam
a tautologia, onde entrecruzam e interpenetram-se as ciências biológicas,
psicológicas e sociológicas. Vocês sabem, aquele palavrão:
biopsicossocial. Bem, e quais são as teorias que, digamos, encaminham
o MA? O basaglismo, o foucaultismo e o lacanismo. As duas primeiras teorizam
o psiquiatra como uma espécie de agente carcerário do capitalismo.
Essa tese é esdrúxula o suficiente para merecer qualquer
comentário. Portanto, vou abster-me: ela dissolve-se a si mesma
no contato com o oxigênio puro da realidade. A terceira merece algumas
palavras.
Lacan, que se dizia portador do “suposto saber” (talvez a
única verdade que falou em toda a vida), aprisionou o espírito
humano (apud Antônio Fernando Borges) na linguagem. Eis aqui um
reducionismo mil vezes mais corrosivo do que o cometido pela psiquiatria
biológica. Enquanto esta não valorizar dois dos termos da
equação, se concentrando no “bios”, mas se abstendo
de teorizar o “psico” e o “social”, para os quais
reconhece implicitamente não possuir instrumentos de investigação,
o lacanismo falsifica e distorce de uma só tacada os três
termos. O resultado não poderia ser outro: a criação
de uma infinidade de pontos cegos para o seguidor dessa doutrina na lida
com o doente mental, principalmente o psicótico, dos quais, neste
curto espaço, destaco dois casos exemplares:
a) Ao negar ou pôr entre parênteses o biológico, onde
- tudo faz supor - se localiza a fisiopatologia da doença psicótica,
o lacaniano, via de regra, desvaloriza o tratamento medicamentos e mantém
com a palavra uma relação de fetiche (não é
por outra razão que a maioria dos lacanianos, com as honrosas exceções
de sempre, medicam muito mal). Isso leva a ridículos como, por
exemplo, um profissional lacaniano que, diante de um paciente agitadíssimo,
em vias de pôr a pique a enfermaria, se recusar a medicá-lo
sob o argumento de que estava “apostando na palavra” (sic).
b) Na tabela diagnóstica do lacanismo existem tão-somente
três itens: histeria, perversão e psicose. Essa limitação
sonega ao profissional recursos vitais da propedêutica e do arsenal
terapêutico modernos. Por exemplo, o caso Davi: seria um exagero
supor que o diagnóstico tenha se estancado no “psicótico”,
privando o paciente de um estabilizador de humor, imprescindível
em um quadro de transtorno bipolar? Ou que se tratava de um quadro de
ciclagem rápida, o que demandaria ainda outras providências
terapêuticas? Se corretas tais premissas, não estaria absolutamente
dentro da lógica concluir que conseqüentes condutas corretas
por parte da equipe assistencial poderiam salvar a vida desse doente?
Ora, dirão os companheiros do MA: lá está o organicista
a “forcluir o sujeito”! Uau! Essa gente não tem mesmo
jeito. É dessa forma empolada, amaneirada, que denominam a abordagem
psicoterápica (e socioterápica) ao doente mental (a quem
chamam “louco”).
Bem, o lacaniano tem com sua doutrina a relação que qualquer
crente tem com a religião. Acha que é a única que
tem acesso à Verdade. São “nós” e “eles”,
sendo “eles” os que estão danados, todos com vaga garantida
no inferno (e aqui acabo de cometer uma injustiça imperdoável
com as religiões: os iluministas, não os cristãos,
gestaram e pariram a mais competente máquina de moer gente da história:
o comunismo, muito mais eficiente que o nazifascismo em matéria
de carnificina, com um passivo de pelo menos 100 milhões de almas
desencarnadas*. O MA é fruto desse ventre...).
Além de Lacan, pode-se, digamos assim, ir ao sujeito com a ajuda
de Binswanger, Jung, Viktor Frankl (ótima companhia), Jaspers,
Carl Rogers, Caruso, W.R. Bion (idem), Alonso-Férnandes, Lopes
Ibor, Melaine Klein, os filósofos (pela ordem cronológica)
Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Santo
Tomás de Aquino, Leibniz, Husserl, Heidegger, K. Popper, Sartre,
Camus, a Bíblia e até Freud, que os lacanianos juram seguir
caninamente, mas, aí também, nunca me enganaram. A singularidade
do sujeito é inapreensível por qualquer sistema teorético,
somente podendo-se conhecê-la caso a caso (daí a máxima
médica de que cada caso é um caso), pelo profissional singular,
que mais preparado estará para tal “encontro” se absorver
e incorporar as lições de todos os mestres acima relacionados
(e mais muitos outros), e não somente um deles, principalmente
sendo esse um embusteiro de nome Lacan. E, ademais, a psicoterapia cognitiva
tem comprovado em inúmeras pesquisas que proporciona uma gama de
benefícios aos sujeitos de uma forma que a psicanálise jamais
pôde demonstrar.
Com tal corpus teórico, com esse organon, é natural prever
que o ativista MA jamais tenha sucesso ou se encaminhe ao consultório
privado. Adivinhem, então, quem será sua opção
preferencial.
Pobre “louco invadido pelo gozo avassalador”. Que Deus o proteja.
Post
Scriptum:
1)
Ah, antes que me esqueça: “Eis um ponto cego da luta
antimanicomial: não é o manicômio que cria a segregação.
A segregação do louco é estrutural.” Barreto
descobriu isso também só agora?
2)
Barreto escreve: "No fim, Frederico [o psiquiatra assistente
de Davi] considerou que conseguiu alguma coisa quando, justamente, ele
se comportou como um psiquiatra clássico" (grifo
meu). Interessante, não? Enquanto foi incessantemente fustigado
com interpretações
lacaniana, Davi passava ao ato quase que initerruptamente. Quando o médico
começou a agir como um "psiquiatra clássico", o
doente melhorou. Pena que este detalhe pouco interessou ao autor.
*
Ver O livro negro do comunismo, Bertrand Brasil, 1999
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