Da Eficácia
para a Efetividade em Serviços Comunitários de Saúde
Mental
(PRiSM Psychosis Study)
Graham Thonicroft, Til
Wykes, Franck Holloway, Sonia Johnson e George SzMukler
Contexto
O Estudo PRiSM Psychosis investigou os resultados dos serviços
comunitários de saúde mental para casos epidemiologicamente
representativos de psicoses em Londres.
Método
Os resultados apresentados em nove trabalhos foram devidamente interpretados.
Resultados
(a) Os ganhos sociais e em saúde descritos nos estudos experimentais
dos serviços comunitários de saúde mental são
replicáveis e são mais efetivos do que nos serviços
hospitalares. (b) Diluições ocorrem -- esses ganhos são
menos pronunciados que nos estudos experimentais de eficácia.
(c) O dois tipos de serviços comunitários (para paciente
graves agudos e paciente de manutenção) produzem diferentes
resultados de melhorias em saúde. (d) Uma limitada vantagem (em
termos de cobrir as necessidades dos pacientes, ganhos em qualidade
de vida e melhoria do ponto de vista social) foram encontrados no setor
de tratamento intensivo. (e) Não existem evidências consistentes
que os serviços comunitários (aqui incluídos pacientes
internados em tratamento intensivo) tenham deficiências no atendimento
aos usuários, suas famílias ou pacientes externos. No
balanço dos resultados, pesou discretamente em favor dos dois
modelos comunitários (para agudos e crônicos) em conjunto,
mas o modelo de pacientes externos em manutenção é
tão efetivo quanto o intensivo e menos dispendioso.
Conclusões
As evidências indicam uma maior efetividade dos serviços
comunitários em relação aos serviços hospitalares
e que há ligeiras diferenças entre os dois modelos comunitários
de saúde mental.
Serviços comunitários de saúde mental em vários
países economicamente desenvolvidos são considerados divisores
de água. A despeito dos continuados apoios político e
profissional, o racional encorajamento de transferência de profissionais
e verbas dos hospitais para os serviços comunitários têm
sido crescentemente questionados, mesmo tendo passado somente uma década
da boa documentação dos excessos cometidos pelos asilos
(Martin, 1984; Departamento de Saúde, 1990, 1994). A consolidação
dessa mudança de paradigma é o resultado de várias
forças tanto intrínsecas quanto extrínsecas ao
campo da saúde mental (Kuhn, 1962). Dentro dos serviços
de Saúde mental, apesar da existência dessa reconfiguração
da estrutura dos serviços, muitas das mais severas formas de
doença mental mantêm-se renitentemente resistentes aos
tratamentos. Em termos de desordens psicóticas, um notável
número de paciente recaem de forma severa o bastante para necessitar
atendimento profissional intenso. Mais frequentemente esse atendimento
ocorre nos hospitais psiquiátricos para doentes agudos, e existem
discretas evidências de que também os hospitais-dia (Creed
et al., 1997) ou casas para atendimento de crises (Sledge et al, 1996)
possam ser alternativas realísticas para alguns dos pacientes
atendidos nos hospitais.
NECESSIDADE
DE TESTES REALÍSTICOS PARA OS MODELOS DE SERVICOS DE SAÚDE
MENTAL
Serviços modelos cuja evidência demonstra o poder de diminuir
a necessidade de utilização de leitos hospitalares, aceitáveis
pelos pacientes, seus cuidadores e os clínicos, são os
modelos de atendimento comunitário em saúde mental (Dixon
& lehman, 1995). No trabalho 1 da série em foco (Thornicroft
et al, 1998), demonstra-se que existe atualmente substancial evidência
que os serviços comunitários de saúde mental pode
reduzir as internações e melhorar o atendimento aos pacientes
sem aumentar os custos. Desde que estudos nesse campo têm produzidos
grande número de resultados consistentes, a replicação
desses experimentos de eficácia podem ter se tornado redundantes
(Sayce et al,1991). O cerne da questão se move da eficácia
para a efetividade (Cochrane, 1972; Light, 1991; Kassirer, 1993; Sackett
et al, 1996). Podem essas pesquisas serem aplicadas em uma clínica
comum? Se a resposta é “sim”, as vantagens experimentais
persistiriam? A que custo? Seria possível uma diminuição
de custos? A essas perguntas é que o presente trabalho remete-se.
Este estudo tem as seguintes linhas de força. Ele é o
primeiro a ser baseado em setting clínico constituído
para funcionar permanentemente, e não estabelecido puramente
para ser objeto de pesquisa. Singularmente este estudo oferece um extenso
e epidemiológico coorte de pessoas portadoras de transtorno psicóticos,
sem exclusão dos quadros mais graves. O estudo também
tenta evitar o "efeito Hawthorne", ao não indicar aos
paciente se eles estariam sendo atendidos na ala standard ou na ala
de tratamento intensivo, evitando assim que se sentissem tratados de
"forma especial" e, assim, influenciasse os resultados.
Limitações
do estudo
Ao mesmo tempo, o estudo tem certa quantidade de limitações.
Primeiro, mesmo sendo um ensaio prospectivo controlado, ele não
é randomizado. Para os serviços que atendem toda uma população,
a randomização não é uma metodologia apropriada.
Se a unidade é randomizada, uma amostra quantitativa satisfatória
envolveria aproximadamente mil pacientes a um custo proibitivo. Segundo,
embora a população dos dois setores da pesquisa estiveram
rigorosamente separados (v. Becker et al, 1998, trabalho 2 da série),
os serviços que atendem a população não
o são. O setor de tratamento intensivo continha os pacientes
mais severamente incapacitados, com uma pontuação maior
do que o setor de tratamento de manuntenção. Assim, em
termos de prevalência, no curso do estudo nós aprendemos
sobre o importante efeito que os internos do serviço podem ter,
em ambos os locais de tratamento, sobre as taxas de prevalência
e suas complexidades, atraindo como imãs a morbidade dentro do
setor.
Terceiro, o sítio do estudo, Cambewell no sul de Londres, é
atípico de duas formas: é uma região de extrema
privação socio-econômica na Grã-Bretanha,
e está localizado em área de influência do Hospital
Maudsley, um hospital de pós-graduação especializado
em tratamento psiquiátrico. O contexto social de privação
dificulta, e provavelmente os ganhos terapêuticos aqui sejam menores
do que se se tratassem de uma área menos desprovida. Nós
não poderíamos também generalizar o modelo estudado
para a área rural, por exemplo (entretanto, a literatura científica
sobre a questão em foco é quase inteiramente baseada em
estudos feitos em área urbana). No que concerne à "especial"
natureza do staff de saúde mental, existe procedência em
tal argumento, embora o treinamento no hospital leve isso em consideração,
e exceto em alguma equipe de médicos seniores, a taxa de renovação
é alta para os militantes contrários ao status quo hospitalar.
Ademais, este é um quase-experimental desenho, e outras influências
nacionais sobre o estilo e conteúdo do serviço, assim
como a introdução da supervisão, a implementação
mais completa da Abordagem Programada de Assistência, e o incremento
da ênfase sobre a importância da avaliação
de risco na prática clínica, tudo isso ocorreu durante
o período do estudo (Calman & Royston, 1997; Furedi, 1997).
Nós não temos razões para acreditar, entretanto,
que a implementação local dessas diretrizes de política
de saúde diferiu sistematicamente entre os dois setores estudados.
A despeito do vigoroso acompanhamento assistencial, o que incluía
às vezes até sete visitas domiciliares para assistir determinado
doente, as não-adesões terapêuticas ainda foi alta.
Isto é conseqüência do fato de termos incluído
todo tipo de casos, inclusive aqueles que evitam ativamente os serviços
psiquiátricos, e as altas taxas de mobilidade entre os doentes
psicóticos de Londres (McNaught et al, 1997). Contudo, nosso
serviço de atendimento domiciliar (descrito por Johnson et al,
1998, trabalho 3 da série) foi um sucesso em resultados, batendo
o recorde de quase todos os serviços.
Erros
categoriais: balanço entre intervenções e resultados
O estudo feito em variadas regiões nos EUA por Robert Wood Johnson
(Goldman et al, 1994) pesquisou se, caso estabelecesse a região
do serviço de saúde mental, planejando-o conjuntamente
com a comissão local de saúde mental e com a agência
de desenvolvimento urbano, haveria impacto sobre os resultados individuais.
Não haveria. Os únicos resultados positivos detectados
nesse estudo de longo prazo americano foi o aumento da continuidade
da assistência e da interação entre os agentes.
Portanto, agora é essencial que perguntemos se podemos ter ao
longo do estudo uma expectativa de que as mudanças nos dados
iniciais e nos processos desenvolvidos no serviço (células
2A e 2B no modelo matriz, tabela 1) produzem necessariamente efeitos
sobre os resultados individuais (célula 3). O limitado impacto
das intrvenções locais sobre os resultados individuais
é também mostrado pelo estudo de Tyrer et al (1995) na
monitoração fechada de pacientes vulneráveis do
oeste de Londres.
Mudanças diretas nos resultados dos usuários do serviço,
especialmente em termos da sintomatologia, são relatados nos
incrementos da distribuição de psicofármacos e
aplicação de tratamentos psicoterápicos e assistência
psico-social, comparados os dados iniciais e os resultados finais (Dixon
& Lehman, 1995; Mari & Streiner, 1996).
Uma interpretação de nossos achados, entretanto, é
que a forma de serviço comunitariamente organizado, como os que
foram investigados em nosso estudo, podem ter um efeito modesto sobre
os resultados individuais, mas seus efeitos diretos mais acentuados
são sobre o acesso e a continuidade da assistência (Johnson
es al, 1977ª; Sytema et al, 1997). Ele age veiculando a distribuição
de tratamentos efetivos, mas não pode ser responsabilizada pelos
erros dos tratamento em si. Na verdade, a corrente confusão sobre
a questão do manejo de casos individuais, em termos de sua definição
e de seus efeitos, também reflete precisamente na distinção
entre o tratamento ativo e a organização e distribuição
do tratamento. Essa confusão foi detectada com felicidade por
Marshall (1996), e levou Kluiter (1997) a adotar o termo genérico
“sistema de assistência comunitária” para as
heterogêneas formas da assistência.
Interpretando
os achados da pesquisa
O primeiro objetivo do PriSM Psychosis Study foi responder a questão:
Podem os benefícios do estudo experimental ser transportados
para a assistência comunitária normal? Uma resposta direta:
sim, podem. Os protocolos do estudo mostram isso em detalhes; houve
um consistente padrão de melhoras nos dois setores; ambos abaixaram
discretamente, mas de forma global, o custo do serviço, porque
diminuíram de forma consistente a quantidade de internações.
Os resultados estão expostos na tabela 2. A respeito dos modesto
implemento das melhorias sociais em ambos serviços, o setor de
assistência intensiva obteve uma adicional melhora nos aspectos
de eficiência social, satisfação das necessidades
dos pacientes e ganho de qualidade de vida. Notadamente não houve
nos serviços comunitários uma maior demanda familiar do
que no serviço hospitalar. Não obstante, em termos da
diminuição dos sintomas psicóticos primário,
nenhum dos dois serviços obteve uma mudança geral consistente;
esses mesmos resultados foram descritos para a equipe do norte de Londres
pelo estudo de Serviços de Avaliação Psiquiátrica
(SAP) [Assessment os Psychiatry Services] das internações
hospitalares de pacientes de longa-permanência.
Os achados indicando que os serviços comunitário podem
substituir as internações não devem ser mal interpretados.
Apesar dessa substituição ser possível, não
significa que necessariamente deve se seguir uma desconsideração
completa das internações hospitalares. Evidências
de Nottingham (Beck et al, 1997), por exemplo, mostraram que o número
de leitos diminuiu somente até certo ponto, e que além
desse ponto ocorre um aumento das taxas de recaídas e reinternações,
o que indica uma necessidade de um mínimo de leitos hospitalares.
Isso pode acontecer no futuro caso haja um incremento de ofertas de
serviços alternativos comunitários, mas no presente não
existem evidências consistentes que corroborem essa possibilidade.
Qualquer tentativa de reduzir o número de leitos abaixo da necessidade
mínima acarretará uma série de difuncionais e adversas
conseqüências (Lelliot et al, 1995), incluindo super-ocupação
de hospitais e inapropriada ocupação de vagas para agudos
por pacientes crônicos (Johnson et al, 1997b). [Grifos do tradutor].
O segundo objetivo do estudo é investigar se os ganhos reportados
pelo estudo experimental seriam diluídos na prática clínica
comum. Novamente a resposta é sim. Embora nossos achados são
similares em espécie aos dos estudos de tratamento domiciliar
(Stein & Test, 1980; Hoult, 1986; Muijen et al, 1992; Burns et al
1993a, b; Mueser et al, 1998), os efeitos são de menor magnitude.
Isso era esperado porque a pesquisa incluiu todas as pessoas portadoras
de transtornos psicóticos, inclusive aquelas que nunca receberam
tratamento psiquiátrico até então e aqueles que
foram embora antes do término da pesquisa.
O terceiro objetivo da pesquisa foi estabelecer o custo comparativo
entre os dois serviços durante o período de estudo. O
custo total de tratamento per capita caiu 4% em cada um dos setores
durante a pesquisa. Entretanto, o custo per capita no Tempo 2 foi 10%
maior no setor de tratamento intensivo (ver tabela 4 em McCrane et al,
1998, trabalho 5 da série). Como havia mais pacientes (e mais
graves) no setor intensivo, o custo total dos serviços psiquiátricos
no Tempo 2 foi 54% maior do que no setor de tratamento de manutenção.
Da perspectiva administrativa, o setor standard parece oferecer menor
custo, mas do ponto de vista do usuário os melhores resultados
clínicos foram encontrados no setor intensivo.
Áreas
de interesse específico
Quatro áreas emergem dessa análise inicial. Primeiro,
os pacientes socialmente isolados (solteiros, viúvos ou divorciados)
tiveram pior resultados: mais mortes não-naturais, maiores taxas
de tentativas de suicídio, maiores taxas de atendimentos compulsórios,
pobre adaptação social e menor uso dos serviços
comunitários (Becker et al, 1997). Sabe-se há muito tempo
que o paciente isolado apresenta resultados mais pobres em vários
setores (Wing, 1989); nossos achado fortalece o ponto de vista de que
a ausência de uma rede de suporte social resulta em sofrimento
aos doentes. Isso levanta a questão de se a criação
de intervenções próprias ou a reativação
dos serviços de socialização existentes poderiam
ser efetivos na substituição dos serviços institucionalizados.
O segundo mais importante ponto são as altas taxas de desemprego
entre os portadores de desordens psicóticas. Nossos dados mostram
que menos de 10% dessa população têm empregos full
time (tabela 3). As implicações desse fato não
estão ainda bem investigados (Warner, 1994), mas os efeitos adversos
gerais na saúde mental atualmente estão bem compreendidos
(Warr, 1987), e se compõem de múltiplas dificuldades para
a população portadora de psicose (Sartorius et al, 1986).
Terceiro, grupos étnicos minoritários recebem uma assistência
psiquiátrica mais deficitária do que seus concidadãos
brancos. Nos documentos usados nos estágios iniciais desta pesquisa
(Davies et al, 1996; Parkman et al, 1997), nós mostramos que
os negros africanos e caribenhos tinha uma taxa mais alta de admissões
hospitalares, internações compulsória sob a Lei
de Saúde Mental de 1983, aprisionamentos, tratamentos em unidades
intensivas e baixas taxas de satisfação com os serviços.
Há ainda uma carência de estudos que explique essa diferença
de padrão de atendimento e avalie os resultados de diferentes
tipos de organizações de serviços ou tipos de tratamentos
individuais, especificamente atentos em proporcionar uma melhora assistencial
aos grupos étnicos minoritários.
Quarto, os dados sobre comportamentos sociais indicaram que (exceto
para um número pequeno dos pacientes mais afetados) o setor de
tratamento de manutenção, contra toda a expectativa, produziu
uma redução das incapacidades dos pacientes psicóticos
graves. Isto levanta a questão de que um serviço intensivo,
e facilmente acessível, pode ter influências negativas,
a menos que tenha uma equipe treinada especialmente para intervir em
redução de comprometimento psíquico. Isso reforça
nosso ponto de vista que os fatores importantes para o tratamento precisam
ser identificados logo, antes mesmo de saber onde aplicá-los.
Conclusões
Os achados principais desta pesquisa são: (a) os tipos de serviços
de assistência comunitária neste estudo experimental são
replicáveis em clinicas comuns e, em outras palavras, esse tipo
de assistência comunitária é mais efetivo que os
serviços hopitalares que eles querem substituir; (b) falhas ocorrem;
os ganhos são menores nos estudos de eficácia; (c) ambos
os tipos de assistência, manutenção e intensiva,
aqui estudadas, produzem um mesmo padrão de melhoria; (d) há
uma discreta vantagem em termos de resolver necessidade, melhora de
qualidade de vida e provimento de redes sociais de proteção
nos serviços mais caros do setor de assistência intensiva,
com uma só exceção: os dados sugerem que para os
pacientes menos graves esse setor de tratamento intensivo favorece a
criação ou o aumento da dependência ao serviço;
(e) tivemos o cuidado de pesquisar possíveis resultados adversos
e não encontramos evidências claras que tenham ocorridos
falhas nos serviços comunitários (aos quais devem ser
incluídos alguns leitos de internação) em relação
ao atendimento dos pacientes ou de suas famílias; (f) tendo como
referência que a população de pacientes mais graves
são usuários do setor de assistência intensiva,
os resultados dos ganhos pesam discretamente para as duas formas de
atendimento (para paciente mais graves e agudos, e para atendimento
de manutenção) em conjuntos em termos de efetividade clínica,
mas o modelo genérico é tão efetivo quanto o de
atendimento intensivo e é muito menos caro.
Tabela
1
Tabela
2
Tabela
3
GRAHAM THORNICROFT, MRCPsych. Section of Commurity Psychiatry (PRiSM).
Institute of PsycWatry, London;TlLWYKES, DPhil, Department of Psychology,
Institute of Psychàtry, London, FRANK HOUOWAY, FRCPsych, Maudstey
Hospital, Denmark Hill, London; SÔNIA JOHNSON, MRCPsych, Department
of Psychiatry & Behavioural Sciences, University College London
Medcal School, London; GEORGE SZMUCKLER, FRCPsych, Section of Community
Psychïatry (PRiSM), Institute of Psychiatry, London
Correspondente: Professor GrahamThornicroft, Section of Community Psychiatry
(PRiSM), Institute of Psychiatry, De Crespigny Park, London SE5 8AF.Tel:
0171919 2610; Fax: 0171277 1462
(First received 5 January 1998, final revision 2 June 1998, accepted
3 July 1998)
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