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SÍNDROME
DE ABSTINÊNCIA ALCÓOLICA:
CONCEITO E TRATAMENTO
Dr Domingos Sávio Lage Guerra
Col. Dr Fernando A . F . Andrade.
INTRODUÇÃO:
O alcoolismo é um dos mais graves
problemas de saúde púbica
nas sociedades ocidentais, atingindo
proporções verdadeiramente
epidêmicas (6). De acordo com
SCHUCKIT (1981) “em nossa sociedade
um indivíduo médio é
um bebedor” e, pelo menos dois
terços dos homens bebem com freqüência.
Segundo SADOCK`S (23), 85% dos residentes
nos Estados Unidos fazem uso de bebidas
alcoólicas. Dentre os adultos
que consomem etilicos, cerca de 51%
apresentam pelo menos um episódio
grave de complicações
por este consumo. Quanto à distribuição
por sexo e diagnóstico, 10% das
mulheres e 20% dos homens preenchem
critérios para abuso de álcool
e 10% dos homens e 5% das mulheres são
considerados portadores de dependência
alcoólica.
(KAPLAN 1999).
No Brasil, os dados existentes apontam
para uma prevalência de alcoolismo
semelhante, senão maior que nos
Estados Unidos. Segundo o Centro Brasileiro
de Informações Sobre Drogas
Psicotrópicas (CEBRID), 64% dos
estudantes de 10 a 12 anos já
experimentaram bebidas alcoólicas;
19% usam freqüentemente (seis vezes
ou mais por mês) e 12% fazem uso
pesado (20 vezes ou mais por mês).
De acordo com esta pesquisa, pelo menos
95% dos adolescentes brasileiros com
idade entre 10 e 18 anos já experimentaram
bebidas alcoólicas. (Apud GUERRA
e Cols. 1996).
Nos Estados Unidos o alcoolismo é
considerado o terceiro principal problema
de saúde logo após das
doenças cardiovasculares e câncer
(KAPLAN_1999, FLAHERTY 1990) (23). O
custo social direto e indireto do alcoolismo
é estimado em 150 bilhões
de dólares por ano ou 600 dólares
per capita naquele país. O alcoolismo
está incriminado em 50% dos acidentes
automobilísticos diurnos e 75%
dos noturnos, além de 25% dos
suicídios e 75% dos homicídios.
(KAPLAN_1999)
A História natural do alcoolismo
mostra o inicio da doença por
volta dos 16 anos, com aumento da frequência
até os 32 anos, quando ocorre
o pico de prevalência. (FEUERLEIN).
Sua duistribuição entre
os sexos mostra, ainda, uma prevalência
duas vezes maior entre os homens do
que entre as mulheres. Do ponto de vista
epidemiológico, portanto, qualquer
população que se enquadre
nesta faixa de distribuição
por sexo e idade, provavelmente, terá
uma prevalência aumentada de alcoolismo,
comparativamente à população
geral.
CAUSAS
E CONSEQUÊNCIAS:
O
alcoolismo é uma doença
de etiologia complexa, e de conseqüências
múltiplas, atingindo praticamente
todos os órgãos e sistemas
corporais. Fatores sociais, culturais,
psicológicos e genéticos
estão associados em graus variados
com a etiologia. Além disso,
diferentemente de outras patologias
físicas, o alcoolismo, tem
conseqüências para além
dos indivíduos portadores,
atingindo toda a sociedade na forma
de acidentes, erros no trabalho, criminalidade,
desemprego, problemas familiares e
etc. Para abranger toda gama de problemas
físicos, mentais e sociais
encontrados e considerando os diversos
fatores etiológicos do alcoolismo,
em seu tratamento, atualmente, têm-se
enfatizado a necessidade de um esforço
conjugado multiprofissional envolvendo
clínicos, psiquiatras, psicólogos
e assistentes sociais. Dentro deste
contexto, o presente trabalho tem
como objetivos orientar os cuidados
clínicos e psiquiátricos,
iniciais, no difícil tratamento
da Síndrome de Abstinência.
CONCEITOS:
A ingestão
de bebidas alcoólicas produz
pelo menos quatro grupos de problemas
distintos de saúde:
1)Intoxicação
Aguda pelo álcool ou embriaguez:
Embriaguez Típica; Embriaguez
Patológica; Embriaguez Delirante
e Coma Alcoólico (Todos, à
exceção da Embriaguez
Típica, são caracterizados
como situações de emergência
médica)
2)Intoxicação
Crônica:
Também conhecida como Dependência
Alcoólica, é a doença
do alcoolismo propriamente dita, caracterizada
pelos fenômenos de ingestão
compulsiva de álcool, incapacidade
de abster-se de bebidas, Tolerância,
síndrome de abstinência,
complicações de saúde,
sociais, familiares, financeiras e
laborativas pelo uso do álcool.(CID
–10, 1995, DSM-IV TR, 2002).
3)Síndrome
De Abstinência Alcoólica:
São os sintomas físicos
e mentais que ocorrem na interrupção
ou redução do consumo
alcoólico por qualquer circunstancia.
A síndrome de abstinência
pode aparecer, pela manhã,
de forma leve e precoce, manifestando-se
por náuseas, vômitos,
tremores das mãos e sudorese.
Tais sintomas ocorrem no bebedor crônico,
porque a sua alcoolemia cai durante
o sono, precipitando os sintomas matinais.
Em casos mais severos, a síndrome
de abstinência pode ser precipitada
pela ocorrência de uma patologia
física que de uma forma ou
de outra imponha uma limitação
ao consumo alcoólico. Freqüentemente,
estas situações surgem
em decorrência de processos
infecciosos, fraturas, doenças
cardíacas, desnutrição,
doenças neurológicas,
cirurgias e etc. Um traço comum
nesses casos é a redução
involuntária do consumo de
bebida decorrente de procedimentos
médicos ou internação.
Os casos mais graves de abstinência
ocorrem pela interrupção,
voluntária ou não do
consumo de bebidas alcoólicas.
Geralmente os sintomas surgem entre
24h às 72h após a última
ingestão de bebidas sendo comum
se manifestarem quando o paciente
é internado no hospital geral
para tratar de alguma complicação
do alcoolismo (infecções,
doenças hepáticas, pancreatopatias,
distúrbios cardiovasculares,
doenças neurológicas,
cirurgias diversas) Nestes casos,
quando não corretamente diagnosticada,
a síndrome de abstinência,
pode se constituir numa complicação
grave colocando em risco a vida do
paciente, como no caso de recuperação
de cirurgia cardíaca. Além
disso, a síndrome de abstinência
vai ocorrer, no curso do tratamento
da dependência alcoólica,
ou quando por razão de foro
intimo, o paciente alcoólatra
deliberadamente resolve interromper
a ingestão de bebidas.
4)Seqüelas
neuro-psiquiátricas: As seqüelas
neuro-Psiquiátricas do alcoolismo
ocorrem por lesões diretas
álcool sobre o sistema nervoso
central ou indireto por deficiência
de tiamina, trumatismo crâneo–encefálico,
AVCs, cnvulsões , etc. São
os seguintes quadros:
• Wernick-Korsakoff (encefalopatia
de Wernick)
• Psicose de Korsakoff
• Paranóia Alcoólica
• Alucinose Acoólica
• Atrofia cortical-cerebral
(Demência Alcoólica)
• Doença de Marchiafáva-Bignani
(desmielinização do
corpo caloso levando a demência)
• Convulsões
• Degeneração
Cerebelar
• Mielinose Central da Ponte
CRITÉRIOS
PARA DIAGNÓSTICO DE SINDROME
DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA:
conforme o DSM-IV TR tm.
A) Cessação (ou redução)
do uso pesado ou prolongado do álcool;
B)
Dois (ou mais) dos seguintes sintomas,
desenvolvendo-se dentro de algumas
horas ou dias após o critério
A:
1) Hiperatividade autonômica
(por ex. sudorese ou taquicardia);
2) Tremor intensificado;
3) Insônia;
4) Násea ou võmitos;
5) Alucinações ou ilusões
visuais, tateis ou auditivas transitórias;
6) Agitação psicomotora;
7) Ansiedade;
8) Convulsões de grande mal;
C)
Os sintomas do critério B causam
sofrimento ou comprometimento clinicamente
significativo no funcionamento social,
ocupacional ou em outras áreas
importantes da vida do individuo;
D) Os sintomas não devido a
uma condição médica
geral e não são melhor
explicados por um outro transtorno
mental;
Especificar se:
Com perturbações perceptuais.
CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE
DA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA:
Quanto à sua gravidade, a Síndrome
de Abstinência Alcoólica
pode ser classificada em pelo menos
três níveis:
Síndrome
de Abstinência Leve:
Status nutricional preservado, boa
hidratação, ausência
de doenças físicas intercorrentes.
O paciente queixa de nervosismo, ansiedade,
agitação dificuldade
para dormir. Pode apresentar tremores
de extremidades, hiporexia, sudorese
e discreta instabilidade autonômica.
Síndrome
de Abstinência Moderada: corresponde
ao antigo conceito de delírio
alcoólico subagudo (Henry Ey)
A perturbação do sono
é mais marcante, com agitação
noturna podendo ocorrer com alterações
do sensório (ilusões
auditivas e visuais), pesadelos, tremores
e sudorese são mais proeminentes,
bem como a instabilidade neurovegetativa,
taquicardia, prejuízo da concentração
e da memória, anorexia, náuseas,
vômitos, irritabilidade, ansiedade,
hostilidade.
Síndrome
de Abstinência Grave ou Delirium
Tremens:
O quadro é mais grave como
um todo. Em geral o paciente apresenta-se
com febre, sudorese, taquicardia,
delírios e tremores pronunciados,
por isto foi consagrado o termo Delirium
Tremens. O estado nutricional está
comprometido em graus variados, bem
como a hidratação. Do
ponto de vista mental, o quadro caracteriza-se
por confusão mental, desorientação
no tempo e espaço, déficit
de memória de fixação,
agitação, perplexidade,
delírios ocupacionais, ilusões
e alucinações visuais
(em geral com animais - Zoopsias,
ou pequenos Homens - alucinações
liliputianas), convulsões.
Agitação, insônia
e piora noturna marcam o quadro. Em
geral, o quadro pode ser precedido
ou acompanhado por complicações
físicas, tais como hepatopatias,
pancreatopatias, distúrbios
gastrintestinais, distúrbios
Hidroeletrolíticos, cardiopatias,
infecções, convulsões,
Avcs, Tces e outros distúrbios
neurológicos.
Alguns
autores como SCHUCKIT, classificam
a síndrome de abstinência
alcoólica, apenas entre os
tipos leve e severa (Delirium Tremens)
IN KAPLAN & SADOCK (P.852-853,1999
CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO
DO NÍVEL DE ATENÇÃO
REQUERIDO PARA TRATAMENTO DA SÍNDROME
DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA:
A)
TRATAMENTO AMBULATORIAL DA SINDROME
DE ABSTINÊNCIA ALCOOLICA: (MYRICK
E ANTON-2000):
? Sintomas de abstinência leves
ou moderados;
? Ausência de doenças
físicas ou neurológicas;
? Ausência de infecções;
? Estabilidade Psiquiátrica;
? Ausência de história
de convulsões ou ‘Delirium
Tremens”;
? Suporte familiar confiável,
para cuidados e transporte em caso
de necessidade de condução
para emergência;
? Fácil acesso a clínicas
ou hospitais;
? P ossibilidade de reavaliação
em 24 h (indispensável)
B)
CRITÉRIOS PARA TRATAMENTO EM
REGIME DE INTERNAÇÃO
HOSPITALAR DA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA
(Clinica ou Psiquiátrica)
? História de síndrome
de abstinência grave anteriormente;
? Crises convulsivas
? Desidratação
? Desnutrição
? Tce
? Infecções
? Pancreatite
? Hepatopatias
? Cardiopatias
? Gama GT acima de 100 u/l.
? Alucinações e delírios
? Ausência de suporte familiar
adequado
? Impossibilidade de reavaliações
diárias
? Agitação psicomotora
? Confusão mental
? Agressividade
? Comorbidade Psiquiátrica
grave
C)
CRITÉRIOS QUE CONTRAINDICAM
O TRATMENTO AMBULATORIAL DA SÍNDROME
DE ABSTINÊNCIA conforme SAITZ&
O´MALLEY-(1997):
?
Sintomas graves da abstinência
do álcool Delirium tremens
? Doença aguda ou crônica
concomitante necessitando da internação
do
paciente para tratamento
? Gravidez
? Acompanhamento inexeqüível
Contra-indicações
relativas para o tratamento ambulatorial
da sídrome de
abstinência:
? História de convulsões
? História de delirium tremens
? Desejo compulsivo significativo
CASOS
CRÍTICOS PARA TRATAMENTO DA
ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA:
Algumas
situações clínicas
específicas demandam uma atenção
especial e condutas alternativas fora
da padronização habitual,
são elas:
a- Pacientes com TCE
b- Múltiplas crises convulsivas
c- Pneumonias
d- DPOC
e- Insuficiência Cardíaca
f- Cetoacidose
g- Hepatopatias
h- Pancreatites
i- Insuficiência Renal
j- Agressividade
k- Psicoses associadas
CRITÉRIOS
PARA PREVISÃO DA GRAVIDADE
DA ABSTINÊNCIA:
Ao
internar-se um paciente alcoólatra,
por qualquer motivo, sabe-se que o
mesmo desenvolverá uma síndrome
de abstinência e, sua possível
gravidade deve ser razoavelmente prevista.
Embora se possa prever a ocorrência
de uma síndrome de abstinência,
em paciente alcoólatra internado,
por qualquer motivo, a gravidade em
que esta vai se apresentar, nem sempre
é previsível. Não
existem critérios clínicos
absolutos preditores de gravidade
da abstinência. Entretanto,
a ocorrência de uma síndrome
de abstinência grave, não
deve surpreender a equipe, pois suas
conseqüências são
danosas quando não tratada
adequadamente. Este é um problema
importante no hospital geral, porque
o paciente em abstinência grave,
além de requerer cuidados intensivos
médicos e de enfermagem, vai
significativamente dificultar este
cuidado.O ambiente do hospital geral
não é apropriado para
lidar com pacientes agitados e confusos
e, nem a enfermagem, nem os médicos
plantonistas estão preparados
para esta situação,
fora de rotina, quase sempre ameaçadora.
Por isso, seria ideal o desenvolvimento
de indicadores clínicos que
permitissem uma previsão razoável,
no momento da internação,
da possível gravidade da abstinência.
Neste sentido, compilamos alguns indicadores
encontratados na literatura que podem
auxiliar no exercício de previsão
da gravidade da síndrome de
abstinência alcoólica
ainda que nenhum deles seja absoluto
ou cientificamente estabelecido.
A experiência
clínica permite-nos deduzir
alguns parâmetros interessantes:
p.ex. aqueles pacientes mais preservados
do ponto de vista físico, bem
nutridos, hidratados e sem outras
patologias clínicas, provavelmente
não terão complicações
graves na abstinência. Uma História
prévia de abstinência
grave, como Delirium Tremens, é
um claro preditor de complicações
no episódio atual. Por outro
lado, os pacientes mais desnutridos,
mais desidratados, com problemas clínicos
tais como Diabetes, Gravidez, Hipertensão,
Cardiopatia, Hepatopatias, Gama GT
elevada, Distúrbios Hidroeletrolíticos,
Infecções, Abscesso
Pancreático, Pancreatite, Insuficiência
Renal, CONVULSÕES ou histórico
prévio de convulsões,
TCE, AVC, Polineuropatia, Demência,
diarréia e descamações
de pele, permitem-nos prever de uma
forma razoável, maiores probabilidades
de complicações na abstinência.
Também é importante
obter-se uma boa historia clínica
do consumo diário médio
de bebidas alcoólicas, sendo
previsível que os grandes bebedores
tenham abstinência mais severa.
A ingestão diária acima
de 280g de álcool, segundo
SAITZ e O’MALLEY, são
um indicativo para desenvolvimento
de síndrome de abstinência
mais severa.
“Fatores
de risco para ocorrência de
sintomas mais graves na abstinência
do álcool /.
Delirium Tremens”: SAITZ&
O´MALLEY-1997p.865 )
? Doença clínica ou
cirurgica concomitante
? Sintomas da abstinência moderados
a graves desde o início
? Idade avançada
? Delirium tremens no passado
? Desintoxicações anteriores
? Convulsões pregressas
? Tempo decorrido desde a última
bebida
? Gravidade da dependência do
álcool
? Níveis elevados da aminotransferase
do aspartato
? Desejo compulsivo mais intenso
? Quantidade e freqüência
maiores do consumo de alccol
? Duração maior do alcoolismo
? Mais sintomas da dependência
do álcool
? Existência de doença
gastrintestinal associada ao álcool”.
VALLADOLID
E CARRASCO (2000- p.181) apontam critérios
laboratoriais e clínicos preditores
de evolução da síndrome
de abstinência para um quadro
grave ou Delirium Tremens:
1–Nível
alto de Adrenalina no plasma;
2- nível elevado de noradrenalina
no plasma;
3-baixa concentração
plasmática de 5-HIAA (ácido
5- hidroxi-indol acético);
4-aumento noturno da concentração
plasmática de ácido
homovanílico
5-Potássio plasmático
menor que 3,6 mmol/l;
6-concentração de cálcio
plasmático menor que 2,2 mmol/l;
7-cloro plasmático menor que
96 mmol/l;
8- sódio plasmático
menor que 136;
9-GOT maior que 50;
10-GGT maior que 100;
11-secreção inapropriada
de vasopressina;
12- elevação de amilase
e lípase;
13-aumento de AMP c no plasma;
14-aumento do fluxo sanguíneo
cerebral.
Outros
preditores de Delirium Tremens:
• Ansiedade elevada;
• Ataxia;
• Polineuropatia;
• História de Delirum
prévios;
• Crises convulsivas;
• Choque, hipóxia, enfiações,
fraturas etc.;
• Temperatura retal superior
a 38,5 C;
• Pressão arterial superior
a 180/110.
COMPLICAÇÕES CLÍNICAS
MAIS IMPORTANTES DA SÍNDROME
DE ABSTINÊNCIA: (HYMAN, Steven
E; Tesar George E- 1994,. KAPLAN ,1999
modificados)
o Complicações
neuropsiquiátricas:
Coma, síndromes negativistas,
síndrome de Wernick-Korsacoff,
degeneração cerebelar,
encefalopatia hepática, lesões
cerebrais e hematoma subdural, Avcs,
convulsões, TCE, acidentes
(quedas, defenestração,
etc.) depressão, ansiedade,
psicoses, agressividade, suicídio.
o Gastrointestinais:
Gastrite, esofagite, úlceras,
colites, diarréia, vômitos,
pancreatite, hepatite, esteatose hepática,
cirrose e suas complicações,
incluindo varizes esofagianas.
o Hematológicas:
Anemias macrocíticas, trombocitopenia,
coagulapatias.
o Infecciosas:
Risco elevado de pneumonia pneumocócica
ou por Klebsiella, tuberculose ou
pneumonia por aspiração.
o Cardiovasculares:
Arritmias, microcardiopatias, Beri-Beri,
Hipertensão.
o Metabólicas:
Hipoglicemia, cetoacidose, hipomagnesemia,
hipocalemia, hipofosfatemia, hiponatremia,
hipocalcemia, hipocloremia, acidose,
desidratação.
FISIOPATOLOGIA DA ABSTINÊNCIA
ALCOOLICA:
O ÁLCOOL produz diversos efeitos
no organismo. No SNC o álcool
exerce efeitos inibitórios
através de dois sistemas: potencializando
o Sistema Inibitório Gabaérgico
e inibindo o Sistema Excitatório
Glutamatérgico. (FREUND e ANDERSON-1996)
Este efeito inibitório duplo
ocorre predominantemente em nível
cortical e, apenas em doses mais elevadas
compromete as estruturas subcorticais
e do tronco encefálico. O antagonismo
ao Glutamato, ocorre ao nível
dos receptores NMDA, que são
canais iônicos voltaico-dependentes,
responsáveis pela rápida
estimulação neuronal,
permitindo a entrada dos íons
Cálcio, responsáveis
pela despolarização
neuronal e pela cascata de reações
intracelulares excitatórias.
(TSAI G. and COYLE J. T. –1998)
O antagonismo glutamatérgico
persistente do receptor NMDA, com
o passar do tempo, induz o fenômeno
de neuroadaptação que,
através de alterações
genéticas do neurônio
provoca um aumento do número
de receptores (NMDA) em resposta à
crônica inibição
pelo álcool -UP REGULATION
(STROMBERG-1999). Durante a abstinência
Alcoólica, este número
aumentado de receptores NMDA, momentaneamente
desbloqueados pela ausência
do Álcool, torçam-se
excessivamente permeáveis ao
Íon cálcio superestimulando
os neurônios pela ação
do Glutamato (Hiperexcitabilidade
Glutamatérgica rebote)
Devem-se ainda considerar os efeitos
do etanol no sistema GABA que tem
um papel inibitório cortical.
Aqui, o etanol potencializa a transmissão
inibitória GABAÉRGICA,
potencializando os efeitos do GABA,
sobre os Canais iônicos controladores
do íon Cloro. Sobre efeito
do álcool, estes canais torçam-se
mais permeáveis ao íon
Cloro, que penetrando nos neurônios
os torna menos excitáveis (HIPERPOLARIZAÇÃO).
Em resposta a esta maior permeabilidade
ao Cloro, nos receptores GABA, o tecido
nervoso com o passar do tempo, adapta-se,
reduzindo o número de receptores
GABA (DOWN REGULATION). Então
na abstinência do Álcool,
além da transmissão
Glutamatérgica exacerbada,
ocorrerá uma deficiente inibição
GABAÉRGICA. Metaforicamente,
na abstinência o cérebro
encontra-se excessivamente acelerado
e sem freio. Tal fenômeno pode
ser traduzido pelo termo excitoxicidade
faz menção aos danos
cerebrais provocados pela Síndrome
de Abstinência Alcoólica,
dentre os quais, as crises convulsivas
e demência. (ERWIN e cols. 1998)
Segundo PETER, McCOOL e SINGLETON
(p. 31) a deficiência conjugada
de tiamina e magnésio, provoca
repercussões no metabolismo
dos carboidratos que serão
importantes no decurso do alcoolismo
crônico, podendo jogar um papel
na compulsão orgânica
para beber, mediar a neurotoxicidade
pelo álcool e influir na fisiopatologia
da síndrome de abstinência.
Além da ação
cerebral, o álcool produz modificações
sistêmicas relevantes.O álcool
é um alimento especial, de
alto poder calórico e oxidativo,
(Um consumo de álcool que exceda
a algo em torno de 80g diárias
fornecendo algo em torno de 600 calorias
diárias) é suficiente
para introduzir importante variação
metabólica, a qual o organismo
terá que se adaptar. Entre
essas adaptações, ocorre
um lenhificação da via
glicolítica, com menor provimento
de ATPs à partir de Glicose,
provavelmente proporcional ao suprimento
adicional aportado pelo etanol. Corroborando
esta hipótese, a ingestão
de bebidas alcoólicas reduz
a absorção intestinal
de Vitamina B-1 ao mesmo tempo em
que aumenta a excreção
renal de Magnésio. Como a Vit
B-1 e Mg são indispensáveis
ao funcionamento da via Glicolítica
ativando diversas enzimas como a Transcetolase,
Piruvato Desidorgenase e Alfacetoglutarese
desidorgenase. A lentificação
da via glicolítica reduz o
provimento e ATP a partir dos hidratos
de carbono e dessa forma, desencadeia
uma “pane metabólica”,
interpretado pelo organismo como hipoglicemia,
que resulta numa descarga Noradrenérgica,
visando um aumento da lipogênese,
do catabolismo protéico e glicogenólise.
TRATAMENTO DA SÌNDROME DE ABSTINÊNCIA:
Hidratação
e correção de eletrólitos
Perdas de líquidos e eletrólitos
podem ser significativas devendo ser
corrigidas, principalmente, quando
houver desidratação
por agitação, vômitos,
febre e sudorese. Entretanto, nem
todo paciente em abstinência
está desidratado, havendo risco
de super-hidratação
especialmente na presença de
lesão hepática.
MYRICK E ANTON (2000) apontam que
a correção de volume
freqüentemente é dispensável
nas abstinências leves e moderadas,
bastando hidratação
oral. Deve-se observar que alguns
indivíduos com síndrome
de abstinência alcoólica
podem estar hiper-hidratados e desta
forma, a administração
de líquidos pela via venosa
pode provocar insuficiência
cardíaca. Entretanto, vários
pacientes com abstinência severas
apresentam perdas significativas de
líquidos por vômitos,
diarréia, diaforese. Sudorese
e hipertermia, necessitando hidratação
venosa vigorosa para corrigir a depleção
de volume. Correção
de eletrólitos, principalmente
Mg++, Na+, K+, PO4-, Cl - é
uma medida freqüentemente indispensável.
A Administração de Magnésio,
apesar de não ser demonstrada
por níveis de evidências
tipo A, é recomendada por vários
autores, sendo reconhecida amplamente
a deficiência deste esletrólito
provocado pela engestão crônica
de álcool. SAITZ E O”MALLEY,
propõe, a administração
de sulfato de magnésio na dose
de ,2 a 4 mEq/Kg no primeiro dia e
0,5 a 1,0 mEq/Kg do segundo ao quarto
dia.(CMAN-P868).(VER apênce,3)
Sedação:
Atualmente, existe consenso na literatura
cientifica a cerca da utilização
dos benzodiazepinicos como os medicamento
sedativos de escolha na abstinência
alcoólica. Segundo ampla metaanálise
realizada por MAYO- SMITH e cols,
publicada no JAMA , em 1997, existem
evidências do tipo A para a
utilização dos Benzodiazepinicos
na abstinência. Tais evidências,
baleiam-se em estudos duplos cegos,
placebos controlados. Na mesma linha
se posicionam SAITZ e O’MALLEY
em artigo de revisão sobre
tratamentos farmacológicos
para o abuso do álcool publicado
pelas Clínicas Médicas
da América do Norte, também
em 1997. Segundo estes autores, “os
Benzodiazepinicos são os medicamentos
preferíveis para o tratamento
da síndrome de Abstinência
alcoólica. As evidências
mais claras estão associadas
com benzodiazepinicos de ação
prolongada” (Diazepam, Clordiazepóxido,
Clonazepam etc) devendo os Benzodiazepinicos
de ação curta e metabolização
mais simples (Lorazepam, Alprazolam)
serem resguardados para os casos de
insuficiência Hepática.
SAITZ e O’MALLEY propõem
dois esquemas de administração
de benzodiazepinicos:
Escala fixa:
É o modelo mais simples de
tratamento, que consiste numa dose
diária com intervalos regulares
do medicamento sedativo que será
reavaliada diariamente provavelmente
com doses decrescentes (P.ex 10 mg
de diazepam VO. a cada 4 ou 6 horas
no primeiro dia ou 50 a 100 mg de
clordiazepóxido VO. no mesmo
intervalo no primeiro dia seguidos
de metade da dose nos dias seguintes)
Escala
móvel ou saturação:
Deve-se administrar 20mg de diazepam
VO a cada duas horas até que
haja regressão dos sintomas
de abstinência ou clordiaxepóxido
25 a 100mg V0 a cada hora até
que haja regressão dos sintomas.
Neste esquema, a próxima dose
só deve ser administrada caso
o paciente permaça agitado.(VER
Apêndece 2)
Para
o Delirium Tremens, preconiza diazepam,
10mg pela via venosa, depois 5mg a
cada 5 minutos até que o paciente
fique calmo, porém desperto.
(Clinicas Médicas da América
do Norte, pg 868-1997). Segundo SAITZ,
o diazepam pela via intravenosa é
o tratamento mais seguro e eficaz
no Delirium Tremens. Nestes casos,
considerando a necessidade de avaliação
permanente do paciente o mesmo deve
ser tratado em ambiente de CTI, com
monitorização cardiovascular,
saturação de oxigênio
e estado de consciência.
Casos
refratários aos benzodiazepinícos:
Caso
o paciente não responda a benzodiazepinícos
pode-se utilizar a sedação
com neurolépticos, do tipo
Haloperidol IM ou Venoso, observando-se
atentamente os riscos de convulsões
e Síndrome Neuroleptica Maligna
(Febre muito elevada, diaforese, instabilidade
neurovegetatica, rigidez muscular,
confusão mental, etc.)
OUTROS
FÁRMACOS UTIZADOS:
SIMPATICOLITICOS:
(atenolol e clonidina) tem o seu papel
destacado como coadjuvantes apenas
para tratamento das complicações
tais como taquicardia, angina ansiedade
intensa e hipertensão não
havendo evidência de que estes
fármacos sejam úteis
para prevenir o Delirium ou convulsões
(SAITZ E O’MALLEY)
NEUROLÉPTICOS:
Ainda que possam atenuar os efeitos
da abstinência, devem ser evitados
porque pode reduzir o limiar convulsígeno,
provocar Hipertermia Maligna, Impregnação
e outros efeitos colaterais que podem
complicar em muito o curso de tratamento
da abstinência.. (MAYO_SMITH,
SAITZ e O’MALLEY e outros).
Podem ser utilizados como último
recurso.
CARBAMAZEPINA:
Segundo MAYO_SMITH, a Carbamazepina
que tem atividades anti -convulsivantes
bem documentadas, tem se mostrado
capaz de prevenir síndrome
de abstinência em estudos com
animais. È uma droga que não
potencializa a depressão do
SNC provocada pelo álcool e
não inibe o aprendizado e não
tem potencial de abuso.Tem sido proposto
que pode retardar o fenômeno
Kindling-like o qual em repetidas
síndromes de abstinência
pelo álcool pode estar relacionado
com a crescente severidade da abstinência.
Dados comparando sua eficácia
em prevenir convulsões e delirium
são limitados. Está
bem documentado que nos protocolos
de uso por sete dias, não está
associada a hepatopatias ou complicações
hematológicas, estando mais
associada a menor distúrbio
psiquiátrico e retorno mais
rápido ao trabalho. Este medicamento
tem sido empregado na Europa para
abstinência leve a moderadas.
Segundo KAPLAM & SADOCK (2000)
“Embora os benzodiazepinícos
sejam o tratamento convencional para
abstinência alcoólica,
diversos estudos mostram que a carbamazepina
na dosagem de 800mg dia é tão
efetiva quanto os benzodiazepínocos
e tem o beneficio extra de mínima
propensão ao abuso, de modo
que seu uso vem se tornando a cada
dia mais comum na Europa e EUA.”
VITAMINAS:
. Folato, 1 mg por via oral deveser
administrada diariamente.(FLAHERTY)
.Vitamina E (HOES)
.Vit. K , 5 a 10mg ev. Quando o tempo
de protrombina estiver maior que 3
s.além docontrole.
Tiamina:
praticamente todos os autores preconizam
a administração de tiamina
(MAYO-SMITH, SAITZ e O’MALLEY
e outros), pela via parenteral, na
abstinência alcóolica,
ainda que não existam evidências
do Tipo A para sua utilização.
É essencial que a tiamina seja
administrada antes ou em conjunto
com a glicose e nunca o contrário.
As doses de tiamina preconizadas,
pela maioria dos autores (KAPLAM,
TALBOT, CECIL, GOODMAN, O’MALLEY,
HYMAN), são de 100 mg IM ou
EV, no primeiro dia da abstinência,
seguidos de doses orais de 50mg. Doses
elevadas de tiamina trazem riscos
para pacientes cancerosos (COMIN-ANDUIX
B, BOREM J, MARTINEZ S e cols.; BOROS
LG, BRANDES JL, LEE WN E COLS.; WARD,
Darrel) e risco de morte por bloqueio
neuro muscular ou depressão
respiratória em várias
espécies animais.(HAAS). Choques
anafiláticos fatais também
podem ocorrem com a administração
intravenosa de tiamina. Ver referências
e anexos sobre necessecidades diárias,
fisiologia e farmacologia da tiamina
Eletrólitos:
TRATAMENTO
DAS CONVULSÕES DA ABSTINÊNCIA:
Pacientes com história de convulsões
por abstinência ou outros distúrbios
convulsivos tem maior probabilidade
de apresentarem novos episódios
durante a abstinência. Ocorrem
mais freqüentemente entre 12
a 48h. após a cessação
do consumo alcoólico. As convulsões
parciais sugerem maior possibilidade
lesões focais do SNC e exige
uma maior investigação
neurológica.
Segundo SAITZ e O’ MALLEY os
Benzodiazepinicos constituem o melhor
tratamento para as convulsões
próprias da abstinência,
não havendo indicação
para o uso profilático da difeinilhidantoina.
Entretanto as convulsões provocadas
por outras causas associadas ao alcoolismo,
não típicas da abstinência
como por ex. as provocadas por TCE,
hemorragia intracraniana, meningite,
encefalite, epilepsia previa, e convulsões
focais, a difenilhidantoina é
o mais indicado. Em todos os casos
de convulsões na abstinência,
faz-se necessário uma investigação
neurológica, pois este é
sinal de complicações
maiores na abstinência.
CONTENÇÃO
FÍSICA:
Os
pacientes mais severamente agitados
e confusos ou agressivos devem ser
contidos mecanicamente no leito. A
contenção deve ser manejada
com cuidado para evitar úlceras
de decúbito, compressão
dos nervos e lesões por tração
(HYMAN, Steven E; TESAR, GEORGE E.
– Ed. MEDSI – 1994, P
448 – e, FLAHERTY, CHANNON,
DAVIS, Ed. ARTES MÉDICAS –
P 208).
De
acordo com o artigo 11 da Resolução
do CFM Nº 1.598/2000- Brasília,
9 de agosto de 2000, com a devida
prescrição médica
em prontuário, “devendo
ser diretamente acompanhado, por um
auxiliar de enfermagem durante todo
tempo que estiver contido” (
VER apêndice 4)
Outros
indicadores de alcoolismo:
Nos últimos anos a TDC (Transferrina
deficiente em carboidratos) vem assumindo
importância na literatura especializada,
como indicador de alcoolismo, elevando
quando o consumo diário de
álcool ultrapassa a 60/80g,
apresentando sensibilidade de 40/85
% especificidade de 97% segundo KÖPPE;
MÜLLER e WROBEL-1996(VALLADOLID
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APÊNDICE:
1- TIAMINA:
A ingestão crônica de
etanol, dentre inúmeras alterações
orgânicas, provoca uma diminuição
na absorção de tiamina"
(SHUCKIT in HARISON’S , pg 1948
;HIMBERG J.J. e COLS.-in B Vitamins
in Medicine ,p. 4,1985). "Vômitos,
desnutrição e gastrite
crônica (condições
freqüentemente associadas ao
etilismo) contribuem para a redução
da absorção de tiamina."(HAAS,
Richard, in” Anual Review of
Nutrition “, p.489 e 503-1988).
Alem do mais, a progressão
dos déficits neurológicos
típicos provocados por uma
dieta privada de tiamina são
acelerados pela administração
concomitante de etanol”.Em modelos
experimentais tem sido demonstrado
que a deficiência de tiamina
incrementa o consumo voluntário
de álcool em ratos.(ZIMATKIN;ZIMATKINA).
Por causa do papel central da tiamina
no metabolismo intermediário
de carboidratos.As necessidades para
esta vitamina são maiores quando
carboidratos são a fonte principal
de energia. Isto assume significância
clínica em alcoólatras
(o álcool é inteiramentente
metabolizado com cartbohidrato) e
em pacientes que recebem amplas quantidades
de glicose parenteralmente, tais como
aqueles com DELIRIUM TREMENS e aqueles
que são mantidos com hiperalimentação.Tais
pacientes requerem amplas quantidades
de tiamina em acréscimo à
adição de glicose parenteral.
(OCHOA e PETERS, p. 161).
THE NATIONAL RESEARCH COUNCIL recomenda
uma dose diária de 1 mg. E
alguma coisa a mais para mulheres
grávidas e idosas, sendo esta
a quantidade degradada por pessoas
saudáveis diariamente. Tais
quantidades são amplamente
inadequadas para o tratamento de pessoas
com deficiência de tiamina,
e nestes casos, a dministração
de poucos miligramas de tiamina pode
resultar em melhora transitória
dos sinais oculares e da confusão
apática da doença de
Wernick, mas uma melhora substancial
desses e outros sintomas da deficiência
ocorrem apenas com amplas doses. Em
nossa prática administramos
aos pacientes com doença de
Wernick, 100 mg. de tiamina hidrocloridrica
diariamente, 50 mg pela via oral e
50mg. pela via parenteral e, continuamos
com esta dosagem até que o
paciente fique livre de distúrbios
gastro-intestinais e torne-se capaz
de consumir uma dieta balanceada.
O uso de amplas doses de tiamina em
pacientes com atiaminose é
necessário para saturar os
tecidos, os quais tem apenas capacidade
limitada para estocar a vitamina.
A depleção tissular
de tiamina não é governada
apenas pela falta de vitamina, mas
por fatores tais com a ingestão
desproporcional de carboidratos, e
a presença de diarréia.
Infecção ou outras causa
de aumento das taxas metabólicas.(Role
of ... p. 161, OCHOA e PETERS)
Necessidades humanas de tiamina
As Recomendações diárias
são de 1.4mg. para homens e
1.0 para mulheres, correspondendo
a um consumo de 0.5mg. por 1000 calorias
(HAAS, P.488). O conteúdo total
de tiamina no corpo é em torno
de 30mg (HAAS, p.488; HIMBERG J.J,
p.4 e CECIL).
Por causa do papel central da tiamina
no metabolismo intermediário
de carboidratos, as necessidades para
esta vitamina são maiores quando
carboidratos são a fonte principal
de energia. Isto assume significância
clínica em alcoólatras
(o álcool é inteiramente
metabolizado com carboidrato)e em
pacientes que recebem amplas quantidades
de glicose parenteralmente, tais como
aqueles com DELIRIUM TREMENS e aqueles
que são mantidos com hiperalimentação.Tais
pacientes requerem amplas quantidades
de tiamina em acréscimo à
adição de glicose parenteral.
(OCHOA e PETERS, p. 161).
2-BENZODIAZEPÍNICOS:
Os Benzodiazepinicos possuem ações
farmacológicas bastante semelhantes
ao álcool. Similarmente, eles
aumentam a transmissão GABA,
inibitória, tornando seus canais
mais permeáveis aos íons
cloro. Também, admite-se pelo
menos uma ação antiglutamatérgica
discreta nos receptores glutamatérgico
do tipo Kainato. Esta ação
farmacológica dos benzodiazepinicos
os credencia como um bom substituto
farmacológico do álcool,
contribuindo para reduzir a hiperexcitabilidade
cerebral da abstinência, prevenindo
a ocorrência de crises convulsivas.
Além disso, outros aspectos
favorecem a utilização
desses medicamentos, sendo privilegiados
a sua segurança clínica,
o fácil manejo, baixa toxicidade
e custo e poucos efeitos colaterais.
3-MAGNÉSIO:
Quanto à administração
de magnésio também não
existem evidências do tipo A
para sua reposição na
abstinência alcoólica
(MAYO_SMITH, SAITZ e O’MALLEY
). "A ingestão de bebidas
alcoólicas reduz a absorção
do magnésio" (CECIL, p.
1158-199) e segundo KAYSEN e NOTH
(Clinica Médica da América
do Norte, p. 235-1984), "Está
claro que o etanol provoca perda renal
direta de magnésio até
mesmo no primeiro dia de consumo e
diante de inúmeros estudos
que documentam a deficiência
de magnésio no alcoolismo SAITZ
E O”MALLEY, reconhecem que a
hipomagnesemia pode não ser
bem diagnosticada pelos níveis
plasmáticos de magnésio
e que pode provocar vários
dos sinas e sintomas da abstinência,
preconizam sua reposição,
afirmando que a mesma é segura
desde que o paciente não tenha
uma insuficiência renal. Estes
autores propõe, para um paciente
de 70 Kg, a administração
de 32 a 48 mEq (,2 a 4 ml. de sulfato
de magnésio 50% a cada 2 l.
de líquidos intravenoso no
primeiro dia e metade dessa dose nos
4 dias seguintes.
Sobre
a reposição de magnésio,
é bom ressaltar que se a magnesemia
plasmática não é
um método fidedigno para o
diagnostico da hipomagnesemia, a mesma
dosagem é um bom instrumento
para detectar-se a hipermagnesemia,
devendo, portanto ser utilizada para
balizar a reposição.
4-TÉCNICA
DE CONTENÇÃO:
A contenção física
tem como objetivo a proteção
do paciente visando impedir acidentes,
ferimentos, quedas e mesmo a correta
administração do tratamento
(medicação venosa, monitorização,
respiração assistida
etc.)
Técnica de contenção:
“Os pacientes devem ser contidos
com as pernas bem afastadas e com
um braço preso em um lado e
o outro preso sobre a cabeça.
A contenção deve ser
feita de modo que as medicações
possam ser administradas. A cabeça
deve estar levemente levantada para
diminuir a sensação
de vulnerabilidade e reduzir a possibilidade
de aspiração. (LARANJEIRA,
Ronaldo NICASTRI, Sergio JERÔNIMO,
Cláudio In,” consenso
sobre a síndrome d e abstinência
do álcool (SAA) e o seu tratamento”
– J Bras. Dep. Quim; 1 (1):
5 – 16 outubro/2000.
5-
LEGISLAÇÃO:
LEGISLAÇÃO SOBRE TRATAMENTO
DA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA
ALCOOLICA.
Lei
nº 11802, de 18 de janeiro de
1995, decretada pelo Governador do
Estado de Minas Gerais e emendada
em 1º de dezembro de 1997.
Artigo 9º
§ 2º “A internação
de pessoas com diagnóstico
principal de síndrome de dependência
alcoólica dar-se-á em
leito de clínica médica
em hospitais e prontos-socorros gerais”.
|