Assim,
foi a impossibilidade de livre
curso de o desejo esvair-se
em satisfação
e prazer que gerou um diferencial
positivo e valioso. No entanto,
nos dias de hoje, a interdição
já não mais segura
tanto o sujeito e, por conseqüência,
bem menos o estabelece. Num
mundo afluente de bens e desfrutes,
num capitalismo narcísico
hegemônico e globalizado,
o sujeito quer desfrutar o gozo
pleno, imediato, num presente
tornado extenso. A pessoa abomina
a interdição o
quanto possa, embora ainda precise
dela. O que prevalece é
a psiquização
de um eu inflado, narcísico,
arrogante, pretensioso e muito
potente.
O simbólico
vem perdendo sustentação
e poder de estruturação
do psiquismo das pessoas, ultrapassado
pela urgência e imperiosidade
da busca quase desvairada da
satisfação imediata
da pulsão.
Um novo
modelo de sujeito psíquico
está nascendo, para além
da interdição
e do sentimento de culpa. Uma
nova organização
do vínculo social tem-se
salientado, movida a interesse
social, instruída agora
pelo sentimento mais elevado
da vaidade.
Uma nova Ética que norteie
a conduta humana terá
de ser encontrada. Uma Ética
que baseie não mais no
mero desejo, mas sim na noção
de Valor. Valor é tudo
aquilo que, selecionado e escolhido,
prova ser capaz de facilitar
o contato e a comunicação
entre as pessoas, É o
que acresce a hominização
dos seres humanos. Responde
pelo conceito de eudaimonia,
como ensinava Aristóteles.
Sem dúvida, estaremos
criando uma Ética adequada
aos modos futuros de estabelecer
uma convivência humana
multivariegada, conveniente
e fecunda.
Não
mais tanta interdição,
mas o que deve prevalecer é
um aproveitamento mais amplo
da relação com
os objetos. Não mais
o sentimento judaico-cristão
de culpa, mas o usufruto do
brilhante afeto da vaidade.
Não mais a protelação
do prazer, deslocado sempre
para um tempo futuro mais favorável,
mas sim o desfrute imediato
e maciço dentro de um
presente extenso, pantanoso.
Agora o que vale é aquilo
que tem interesse em ampliar
os modos humanos favoráveis
de convivência. Este é
um novo paradigma que irá
instruir a prática social
como motivador dos novos laços
que unem os homens na sociedade.
Como principal
fonte de conhecimento e de teorização
sobre a subjetividade humana,
a psicanálise estará
atenta a essa mudança
de paradigma que vem, rapidamente,
prevalecendo nas relações
e interações entre
os homens.